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FNE / Jornal / Edição 102 – Nov/10 / Copa do Mundo com sustentabilidade

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Copa do Mundo com sustentabilidade

A capital da Amazônia se prepara para investir R$ 6 bilhões em infraestrutura e logística, além de equipamentos para as atividades da Copa do Mundo no Brasil em 2014. Escolhida uma das 12 cidades-sede da competição, Manaus deve entregar todos os empreendimentos até final de 2012, candidatando-se também aos jogos da Copa das Confederações em 2013. As informações foram dadas por Júlio César Soares da Silva, secretário de Estado da Juventude, Desporto e Lazer de Amazonas. “São 26 grandes projetos, divididos em dez grupos”, explica Manoel Paiva, assessor de infraestrutura da Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico. Ele continua: “A base é a sustentabilidade.”

Sobre esse mote, serão recuperados dois locais para servir de centros de treinamento e construída a Arena da Amazônia, na zona centro-oeste de Manaus, onde se encontrava o antigo estádio Vivaldo Lima, o Vivaldão, que datava da década de 70 e foi demolido para que a área abrigue a nova estrutura. Segundo explica Paiva, que é engenheiro, poderia ter-se optado por uma reforma, mas não daria para atender o padrão exigido pela Fifa (Federação Internacional de Futebol Associado). Para garantir seu lugar entre as cidades-sede, será edificado o espaço multiuso com acessibilidade, sala de imprensa e estacionamentos adequados, ao custo de R$ 499,5 milhões – sendo R$ 400 milhões empréstimo pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o restante, contrapartida do Governo do Estado. “A capacidade, durante a Copa, será de 40.557. E após, 42.132”, afirma Silva. De acordo com o assessor da Secretaria de Planejamento, apesar de essa projeção adicional ao término da competição, não está descartada alternativa de estrutura provisória no anel superior das arquibancadas e de redução em 35% nesse volume, a depender do que se defina. “A ideia é que atenda campeonatos e programações culturais”, diz Paiva. Silva complementa: “Existem parcerias a serem firmadas com a iniciativa privada para o controle e manutenção.”

Nessa obra, ainda conforme ele, o objetivo é combinar “a ecologia e a economia de tal forma que o edifício represente um ideal no presente e nos próximos anos”. A preocupação com o meio ambiente teve início já na demolição, que foi mecânica justamente com o fim de gerar o menor impacto possível. “Todo o material de concreto foi reaproveitado e o ferro, vendido para metalurgia. Os vasos hidráulicos, assentos, coberturas foram destinados a estádios do Interior e região metropolitana”, enfatiza Paiva.

Ainda sob essa ótica, definiu-se um programa de medidas e metas. Entre elas, Silva cita: certificação de acordo com o Leed (Leadership in Energy and Environmental Design) dos conselhos de prédios verdes dos Estados Unidos e do Brasil; utilização de sistemas de controle de edifícios inteligentes, incluindo de iluminação eficiente e de economia e reúso de água; ventilação e refrigeração natural. Os assentos serão em material reciclável, e a drenagem será a vácuo, como informa Paiva, “fazendo com que a água sirva tanto para limpeza quanto para atendimento de todo o estádio. Estamos ainda estudando adotar na cobertura placas de energia solar. Nos centros de treinamento, esse uso já está definido”.

Mobilidade

A 7,5km do aeroporto e a 8km do porto, a Arena está muito bem localizada, garante ele. “Faz a interligação entre a zona mais populosa da cidade e o centro.” Para assegurar a circulação dos cidadãos, estão previstos, como descrevem os representantes das secretarias, a construção e integração de 20km de rede de monotrilho, o qual incluirá nove estações e está projetado para atender uma demanda de 201,8 mil passageiros por dia. “Movido a energia elétrica, deve retirar 400 ônibus do círculo do centro histórico, minimizando o impacto ambiental”, afirma o engenheiro. Esse será integrado física e tarifariamente ao BRT (Bus Rapid Transit), ônibus segregado em via exclusiva. Além disso, entre os projetos, está prevista a recuperação do porto fluvial. “O objetivo é melhorar a acessibilidade, a estrutura logística no embarque e desembarque e a informatização, de modo a intensificar o transporte aquaviário urbano, que também pode ser integrado aos demais modais”, explicita o engenheiro. Na sua concepção, o sistema de mobilidade urbana – no qual serão investidos quase R$ 1,7 bilhão – será o principal legado pós-Copa a Manaus.

O Aeroporto Eduardo Gomes será ampliado em sua capacidade, atualmente de 3 milhões de passageiros para 5 milhões. Paiva lembra que essa era uma necessidade, e o mundial trouxe a oportunidade de atendê-la: “A demanda hoje já é maior do que a oferta.” Conforme Silva, as obras estão em fase final de licitação, exceto o monotrilho, que já passou por essa etapa e deve ser iniciado nos próximos três meses.

Outra questão que deve ser resolvida é a energética. “Vamos mudar a matriz, hoje baseada em termelétricas a diesel no Estado.” Ele afirma que o Amazonas ainda não estava conectado ao sistema interligado nacional e agora, com o linhão de Tucuruí e a implantação de gasoduto urbano, passará a estar e a geração será mais limpa. Também estão previstas iniciativas no âmbito da tecnologia de informação, para comunicação e transmissão de dados, por iniciativa tanto do governo federal quanto da iniciativa privada. Além, é claro, de equipamentos para atender turistas, como incremento da infraestrutura de hotéis, investimento a ser feito por empreendedores particulares que poderão contar com empréstimo do BNDES. Outra opção é “trazer navios transatlânticos para complementar a rede de cerca de 12 mil leitos requeridos”. Serão também implantados três grandes fan parks. Exigência da Fifa, esses locais serão montados provisoriamente para servir de ponto de encontro para as pessoas. E o centro da cidade deverá ser revitalizado. Para Paiva, o principal desafio é cumprir o cronograma. “Estamos correndo contra o tempo”, conclui. (Soraya Misleh)

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