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FNE / Jornal / Edição 25 - Jun/04 / Exploração sexual x mercado imobiliário

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Exploração sexual x mercado imobiliário

Augusto C. de Freitas Barros

Há poucos anos, no auge do “axé bunda”, alguns pais inocentes não se importavam de que suas filhas participassem de concursos oficiais, improvisados ou até mesmo em rodas de amigos, para a escolha daquela que dançasse melhor a famosa “boquinha da garrafa”. A novidade, num país como o nosso, que não preza pela educação, era um prato cheio para as tvs comerciais – que nunca fizeram questão de apresentar uma engenheira, uma médica, uma professora que se deu bem na vida – exibirem “dançarinas” bem-sucedidas. Passado o tempo, o que vemos no Brasil é o crescimento brutal da exploração da infância e da juventude, sem falar na prostituição que está em cada esquina.

O amigo leitor deve estar pensando: “Esse cara é maluco, isso aqui é um jornal de engenharia e ele está falando de exploração sexual.” Calma, chegarei lá.

Surpreende-me ultimamente o crescimento vertical de um dos cartões postais de Natal: a praia de Ponta Negra, com seu morro e suas belas curvas, que atraíram o turista internacional. Existem vários setores comemorando o crescimento dos empreendimentos imobiliários em Ponta Negra, que invariavelmente são comprados por estrangeiros ainda na planta com valores acima do mercado, assim como os vários vôos charters, que muitas vezes só buscam o turismo sexual. Há forte coincidência entre o grande crescimento de uma coisa (a exploração sexual, sobretudo a infantil) e de outra (os imóveis vendidos). E não adianta mais fazer reuniões, criar comissões para discutir o assunto, uma vez que todos sabem onde está o problema. O que precisamos são ações concretas, do Estado, da Polícia, inclusive Federal, para averiguar a origem do dinheiro derramado, pois fala-se até em lavagem. Enfim, esse vale-tudo em busca de investimento estrangeiro, com essa gringada enlouquecida por “filezinho”, precisa ter um basta de nossa sociedade. Está saindo muito caro para as nossas crianças esse processo desumano de se ganhar dinheiro especulando com o corpo dos outros. Como sei que esse porto livre da exploração sexual não é um “privilégio” de Natal, mas sim do Brasil inteiro, sobretudo das capitais litorâneas, conclamo a todos para acabar com essa hipocrisia nacional.

Augusto César de Freitas Barros é presidente do Senge-RN

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