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FNE / Jornal / Edição 39 - Ago/05 / Automação: oportunidades de Norte a Sul

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Automação: oportunidades de Norte a Sul

Soraya Misleh

Na área de engenharia de automação, há boas chances de se conquistar emprego ou mesmo montar o próprio negócio, em diversas partes do País. Campo de trabalho existe onde há grandes pólos industriais, como lembra o diretor de tecnologia de manufatura da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, Carlos Alberto Salin. Assim, conforme ele, as maiores oportunidades estão centralizadas na Região Sudeste, em especial em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A maior demanda é nessas localidades, segundo atesta o professor Álvaro Camargo Prado, coordenador do curso de Pós-graduação de Automação Industrial do Centro Universitário da FEI (Faculdade de Engenharia Industrial), em diversos setores. “No Grande ABC (Região Metropolitana de São Paulo), por exemplo, os empregos se concentram nas indústrias química e automobilística”, constata. No Estado, há outros pólos de desenvolvimento. De acordo com Prado, um deles é Campinas, em informática, robótica e eletrônica.

Com a evolução dos processos produtivos e automação nos últimos dez anos, ele ressalta que esse mercado se ampliou significativamente. Hoje, observa, há empresas que não contratam mais engenheiros sem formação ou conhecimentos na área. E outros campos despontam a esses, como os de automação predial – cuja possibilidade de emprego é “em escritórios de projetos” – e hospitalar, embora “a demanda ainda seja pequena”. Também pode se conquistar vagas em médias empresas de desenvolvimento tecnológico ou mesmo se aventurar como empreendedor. Nesse caso, o engenheiro “poderia se especializar em um equipamento ou software e trabalhar como desenvolvedor de aplicação, por exemplo, na área de instrumentação industrial”. Segundo Prado, o setor petroquímico também absorve tal mão-de-obra.

Para atender a essa demanda, o Cefet-MG (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais) instituiu na sua unidade em Leopoldina, sudeste do Estado, o curso de Engenharia de Controle e Automação. Pioneiro na Zona da Mata mineira, terá início em agosto. “A região agrega localidades que possuem grandes parques industriais com carência desses profissionais”, considera Edson Maciel Peixoto, diretor da unidade. Conforme ele, ao engenheiro a ser formado pelo Cefet-MG, as possibilidades se situam nos setores industrial em geral, automobilístico, siderúrgico, de mecânica fina, produção de sistemas de controle e automação e de desenvolvimento de softwares industriais.

Diversidade

No Sul do País, as oportunidades são bastante variadas, conforme o professor Augusto Humberto Bruciapaglia, do Departamento de Controle e Automação da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). “O setor que mais emprega é o de serviços, acompanhando a tendência de terceirização das atividades de automação. Assim, pequenas e médias empresas de base tecnológica, amparadas por incubadoras que têm se desenvolvido rapidamente nos estados da região nos últimos anos, são as que mais oferecem oportunidades aos egressos do curso”, informa. Ainda segundo ele, também grandes empresas como Embraer, Petrobrás, Renault, WEG, Multibras, Embraco, Altus, Siemens oferecem excelentes chances.

Para promover a integração dos seus alunos ao mercado de trabalho, a UFSC criou mecanismos diversos. Nessa linha, instituiu há nove anos, em caráter pioneiro, empresa júnior de automação no País. Denominada Autojun, é tocada por estudantes, mas tem um conselho formado por professores, explica Leonardo Ferronato, aluno do 7º estágio do curso de Engenharia de Controle e Automação da universidade e um dos seus membros. “Trabalhamos com desenvolvimento de tecnologia e gerenciamos projetos.” Seus principais clientes, de acordo com ele, são micro e pequenos empresários. O objetivo de Ferronato é especializar-se em automação rural. “Há carência nesse mercado”, observa. Também estudante do 7º semestre nesse curso e presidente do Centro Acadêmico de Controle e Automação da UFSC, Antonio Boaventura Neto visa montar seu próprio negócio na área e não acredita que terá dificuldades. Ele é um dos organizadores do 5º Encontro Nacional de Estudantes de Controle e Automação, que acontecerá em outubro, na universidade, e deverá trazer empresas para aproximá-las dos alunos. O evento é promovido pelo Centro Acadêmico em parceria com a Autojun.

É possível ainda encontrar trabalho na Região Norte, especificamente em Manaus. “A automação nesse pólo tem passado por um processo de modernização grande. As oportunidades aumentam devido ao forte crescimento industrial”, enfatiza Cícero Ferreira Fernandes Costa Filho, professor do Departamento de Eletrônica e Telecomunicações da Faculdade de Tecnologia da Ufam (Universidade Federal do Amazonas). Na sua ótica, há possibilidades em desenvolvimento de testes industriais e sistemas para acompanhamento online da produção, além de trabalho em inspeção visual por imagens. Em Manaus, há ainda espaço ao engenheiro de automação nos institutos de pesquisa. E em robótica, como atesta o consultor na área e também professor da Ufam, Katsuhito Takita. “Faltam profissionais ao desenvolvimento de robôs e sua integração às linhas de produção.”

Embora em menor número, Brasília também oferece oportunidades ao profissional com essa formação. Ali, “há muitas pequenas empresas de desenvolvimento tecnológico e algumas médias indústrias”, avalia Geovany Araújo Borges, professor-doutor adjunto do Departamento de Engenharia Elétrica da UnB (Universidade de Brasília). E mesmo no Nordeste o engenheiro de automação pode ter seu lugar ao sol, principalmente em empresas do setor energético como Petrobrás. Além disso, Salin observa que a Bahia começa a despontar como um pólo industrial. Sem dúvida, um mercado de trabalho que se abre aos profissionais da região.

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