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FNE / Jornal / Edição 48 - Mai/06 / Por uma engenharia mais humana

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Por uma engenharia mais humana

Maria Odinéa M. Santos Ribeiro

O discurso desenvolvimentista, que ganhou força a partir dos anos 50, associava as idéias de avanço tecnológico e crescimento econômico. A engenharia, nesse contexto, representava a imagem do desenvolvimento e o engenheiro, o motor dessa crença.

No entanto, em meados dos anos 80, a crescente exclusão social, a desenfreada exploração dos recursos naturais e os primeiros sintomas de um verdadeiro colapso ambiental apontavam para o inevitável fracasso desse modelo. O mundo deu-se conta, então, que os recursos naturais são finitos e que tecnologia e riquezas – quando não compartilhadas – agravam os problemas, ao invés de solucioná-los.

O painel composto pelas práticas predatórias das décadas passadas exige uma postura diferente no século XXI. O sistema de pensamento que privilegiava os aspectos econômicos e tecnológicos deve ser abandonado, cedendo espaço para um modelo que se firme na aliança entre a preservação ambiental, a inclusão social e o progresso.

O profissional da área tecnológica deve atender à urgência dessas prerrogativas e funcionar como um agente transformador da realidade. O novo profissional não deve permanecer indiferente ao meio social no qual está inserido; além de realizador, tem o compromisso de atuar como fiscalizador e regulamentador do exercício da engenharia e principalmente participar de forma decisiva para fazer a conciliação entre o trabalho técnico e a preservação do meio ambiente.

Apesar de algumas leis criadas e algumas ações isoladas do governo, a prática do desenvolvimento sustentável é algo que ainda está longe de fazer parte do planejamento permanente, mesmo com o quadro que lamentavelmente temos diante de todos nós: desmatamento indiscriminado de nossas florestas, poluição dos rios de forma impiedosa e degradação dos solos. As conseqüências danosas refletem-se na flora e na qualidade de vida do ser humano.

O papel que o profissional da área tecnológica deve desempenhar para mudar essa realidade indesejada é de fundamental importância, quer pela sua função de agente gerador de riqueza, quer como formador de opinião. Evidentemente que o trabalho em favor dessa conciliação entre o desenvolvimento técnico e o sustentável não deve se resumir a tarefas individuais. É imprescindível a participação efetiva das entidades de classe que congregam aqueles profissionais, como também de toda a sociedade civil organizada.

O Sindicato dos Engenheiros no Estado do Maranhão quer fazer a sua parte, colocando-se como veículo de divulgação, disponibilizando os meios possíveis para juntos empreendermos e mudarmos essa realidade.

Maria Odinéa M. Santos Ribeiro é presidente do Senge-MA

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