FNE - Federação Nacional dos Engenheiros

FNE / Jornal / Edição 64 - Set 07 / A vez do Acre e da floresta

Eventos

Posse FNE
18 Mar - 18 Mar

FUM 5
22 Mar - 26 Mar


Enquete



A vez do Acre e da floresta

Rita Casaro

Último a integrar o Brasil, o que só aconteceu em 1903, o Estado do Acre fica na ponta ocidental do País, esquecido de muitos. Tem 90% do seu território coberto pela floresta amazônica, objeto de numerosos debates e freqüentemente vista como um problema a se resolver. Essa combinação foi considerada um entrave ao desenvolvimento por quase 100 anos. Às portas do século XXI, no entanto, os acreanos resolveram virar a mesa. O debate sobre como isso vem acontecendo se deu no Fórum Internacional de Desenvolvimento Sustentável, realizado entre 7 e 15 de agosto, no Estado do Acre e no Peru.

Promovida pela FNE e pela ONG Engenheiros Solidários, a iniciativa contou com um seminário nos dias 9 e 10, realizado na Fieac (Federação das Indústrias do Estado do Acre), em Rio Branco. Sob o tema “Engenharia e meio ambiente no desenvolvimento sustentável da Amazônia sul-americana”, o evento foi aberto oficialmente pelo seu presidente de honra e um dos responsáveis pelo projeto que decidiu mudar a história do Acre, o ex-governador do Estado, Jorge Viana. “É muito importante ter a chance de sediar esse fórum. A visita de vocês tem um forte impacto na sociedade acreana”, declarou.

“Esse fórum não está aqui por acaso, temos que discutir a Amazônia de forma soberana”, declarou o presidente do Senge-AC e da ONG Engenheiros Solidários, Sebastião Fonseca. Murilo Celso de Campos Pinheiro, presidente da federação, lembrou que o fórum dá continuidade ao projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” e também destacou a importância de realizar o evento no Acre. “É um orgulho para todos nós brasileiros, pelo que vem se realizando aqui.” Nesse sentido, o prefeito de Rio Branco, Raimundo Angeli, comemorou a fase vivida no Estado. “ O Acre não é mais o fim da linha, é o início de uma nova civilização.” “Esse fórum trará uma contribuição muito grande ao nosso Estado e ao País, pois os engenheiros são aqueles que criam uma vida melhor para a população”, completou o deputado estadual Taumaturgo Lima (PT). Encerrando a cerimônia de abertura, o vice-governador César Messias deu as boas-vindas aos engenheiros .

Desenvolver e preservar

Em sua palestra “O Estado do Acre e o desenvolvimento sustentável”, Jorge Viana revelou as premissas básicas que guiaram o projeto que começou a ser implantado em 1999. Primeiro, o Acre deixou de ser “o fim do Brasil”, conforme se vê no mapa do País, e passou a ser a porta de várias oportunidades. “Vivíamos nos maldizendo, mas hoje temos uma vantagem comparativa”, afirmou, tendo vista que o Estado é saída brasileira para o Oceano Pacífico. “Quanto mais o mundo fica globalizado, mais a nossa premissa está certa”, ressaltou.

O segundo ponto é pensar o desenvolvimento do Estado utilizando o potencial de 90% de sua área, em que está a floresta, e não apenas os 10% já devastados. Além disso, a Amazônia deve ser valorizada não pela terra, “mas pelo que está acima e abaixo dela”. O desafio, apontou, é aumentar a participação da região na atividade econômica florestal, que movimenta US$ 190 bilhões no mundo. “No Brasil, o setor movimenta apenas US$ 25 bilhões, é pouco para o potencial existente”, avaliou.

Na prática, as premissas do ex-governador estão traduzidas em vários projetos de desenvolvimento sustentável em forma de parcerias com a iniciativa privada, ainda incipientes, mas promissores. Entre esses, está a Usina Álcool Verde, que recupera a antiga Alcobrás, construída nos anos 80 e abandonada sem uso. Tendo plantado as primeiras mudas de cana em janeiro de 2006, o empreendimento deve chegar a 4.500 hectares até dezembro deste ano, a 7 mil ha em 2008 e 8 mil ha em 2009. O início da produção de álcool e açúcar está programado para 2008, com previsão para 30 milhões de litros e 10 mil sacos por dia, respectivamente. Fazem parte ainda o Complexo Industrial Florestal, que produz o “taco verde”, fruto de manejo florestal, a fábrica de preservativos masculinos e a usina de castanha, todos em Xapuri, além da usina de castanha, abatedouro de frango e agroindústria de polpa de frutas, em Brasiléia, fronteira com a Bolívia.

Destaque nessa busca de sustentabilidade é o Projeto Jari, hoje pertencente ao empresário Sérgio Amoroso, dono do grupo Orsa, que em 2000 assumiu uma dívida de US$ 415 milhões disposto a transformar um estrondoso fracasso em sucesso. Sete anos depois, ele está otimista. “Em dez anos, o Jari será uma empresa de US$ 1 bilhão”, garante.

Envie a um amigo