Desenvolvimento responsável
Fátima Có
A realidade de passarmos por rodovias do Atlântico ao Pacífico está mais próxima a cada dia. A Estrada do Pacífico Transoceânica terá uma extensão de quase dois mil quilômetros de rodovia asfaltada entre o município acreano de Assis Brasil, na tríplice fronteira Brasil-Peru-Bolívia, em direção às cidades peruanas de Porto Maldonado, Cusco, Puno, Arequipa e as litorâneas Ilo e Matarani, na Costa do Pacífico. A obra é fundamental para viabilizar o intercâmbio do nosso país com o Peru.
Por sua complexidade, podemos afirmar que se trata de uma obra de engenharia grandiosa quanto aos investimentos em infra-estrutura, o qual visa o desenvolvimento das áreas de transporte, energia e telecomunicações sul-americanas. Sob a ótica política e econômica, a rodovia facilitará a exportação de grãos e produtos industrializados por meio dos portos peruanos. A Transoceânica resulta de uma PPP (parceria público-privada) e as empresas vencedoras da licitação ganharam a concessão da estrada. Assim, elas ficam responsáveis por elaborar o projeto técnico, buscar financiamento, construir e dar manutenção pelos próximos 25 anos.
O turismo é outro grande potencial a ser explorado com a Transoceânica, a qual deve se consagrar como um dos maiores corredores de ecoturismo da Terra. A rodovia vai ligar as paisagens paradisíacas do Pacífico ao Atlântico, partindo das cidades litorâneas do Peru, em direção ao Estado do Acre, seguindo pelo Amazonas e desembocando no Pará, do lado atlântico do continente americano. Na parte peruana, além da capital inca de Cusco e as ruínas de Machu Pichu, há a beleza das pradarias do altiplano da Cordilheira dos Andes. No lado brasileiro, os turistas desfrutarão da exuberante floresta quente e úmida da Amazônia, rica por sua biodiversidade. Assim, a rodovia proporcionará facilidade de locomoção percorrendo locais de majestosa beleza cênica.
Homens e mulheres trabalham na construção da rodovia dia e noite. O governo peruano exigiu que 75% da mão-de-obra utilizada seja das cidades que a Transoceânica percorrerá. Durante a execução das obras, está prevista a geração de 72 mil empregos. A rodovia é a esperança para a geração de emprego e renda, além de proporcionar progresso e desenvolvimento tanto ao Peru quanto ao Brasil.
A Estrada do Pacífico Transoceânica foi um dos projetos relevantes apresentados durante o Fórum Internacional de Desenvolvimento Sustentável realizado pela FNE e a ONG Engenheiros Solidários, nos dias 7 a 15 de agosto. O encontro é mais uma iniciativa dentro do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, lançado em 2006 pela federação. A oportunidade nos fez ver e acreditar que, com um empreendimento de engenharia com responsabilidade, é possível se chegar, cada vez mais, ao desenvolvimento nacional com sustentabilidade e inclusão social. Parabenizo a todos os envolvidos na realização do fórum e faço votos de sucesso contínuo para que possamos continuar a erguer essa bandeira histórica dos engenheiros brasileiros por um desenvolvimento nacional, defendendo a implantação de um projeto sustentável.
Fátima Có, engenheira civil, é vice-presidente da Federação Nacional dos Engenheiros





