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FNE / Jornal / Edição 66 - Nov/07 / É hora de ninar o mundo

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É hora de ninar o mundo

Ronildo Divino de Menezes

Estaremos voltando ao começo de tudo? Não era a Terra extremamente quente há milhões de anos? É claro que naquele tempo a vida não prosperava por aqui. Quanto tempo decorreu para que os primeiros organismos vivos começassem a povoar este planeta? Que seres nos deram origem? Como eram eles no princípio? A vida deve ter evoluído, numa dimensão estratosférica, até o aparecimento do homem na sua forma mais primitiva. E quanto tempo ele galgou para ganhar a condição atual?

Parece que a humanidade agora conquistou a fase mais espetacular de toda existência. Não seria prudente preservar a vida neste estágio em que se encontra, acrescentando-se apenas conquistas vantajosas para presentear as gerações futuras? Com o passar dos anos, o que se sente é que o homem caminha na direção do apocalipse de forma inexorável, sem refletir. Sodoma e Gomorra são citadas como exemplo cruel, cujos destinos fatídicos advieram da promiscuidade e dos pecados cometidos, os mesmos infortúnios que se observam no momento contra o planeta em que vivemos.

Nero, o imperador maluco, pôs fogo em Roma e a destruiu. Agora o que se vê, num plano de gravidade inominável, é a alimentação de uma grande fogueira, que aniquilará com o equilíbrio que, por séculos, perdurou como indelével em nosso ecossistema. Não será este o momento do alerta, de se unirem as vontades daqueles que abrigam em suas consciências um desvelo de responsabilidade pela vida no “planeta azul”?

O tempo é de se tomar atitudes, aglutinando-se nos espaços próprios que se pode ocupar, lançando-se ao ar a insatisfação com o comportamento reprimível de insensatos, sociedades inteiras e nações, que, na defesa particular de seus interesses, não se detêm em balizar suas ações na cota do enriquecimento. E, como se sabe, isso não se dá de forma sustentável e equilibrada, numa recomendável atenção preservacionista, necessária à sobrevivência no mundo.

É possível imaginar que, na direção a que se ruma, sem um plano de proteção da vida, as catástrofes virão e nada restará. Não temos como alugar outro planeta para nos mudar, temos que manter a nossa casa em condições seguras e agradáveis de habitabilidade. Está na hora de nos mobilizarmos para a luta contra o aquecimento global. É hora de ninar o mundo.

Ronildo Divino de Menezes é presidente do Senge-DF.

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