Robôs aquáticos brasileiros
Lucélia Barbosa
Para a inspeção de rios, lagos, fundo do mar, prospecção de petróleo e até mesmo a exploração do mar antártico estão sendo desenvolvidos no Brasil robôs aquáticos. A Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo) tem dois projetos, ambos de pesquisadores do Departamento de Mecatrônica e Sistemas Mecânicos. Um deles é o Laurs (sigla do Laboratório de Ultrassom e Robótica Submarina), coordenado pelo professor Julio Cezar Adamowski, que foi projetado para atuar em águas profundas através de uma iniciativa do Cenpes (Centro de Pesquisa da Petrobras). Segundo Adamowski, o objetivo foi atender à necessidade da companhia de um veículo que atuasse na recuperação de transponders (sinalizadores acústicos utilizados em navios para perfuração de poços de petróleo).
O robô desenvolvido na Poli não precisa de equipe na superfície para o seu controle. Possui bateria, oito propulsores, computador de bordo, software e sensores de fibra ótica, giroscópio, de imersão, profundidade e velocidade. Utiliza um cabo fino para o controle remoto do veículo, sinais de vídeo e transmissão de dados.
Feito de alumínio, tem 1,2 metro de largura, 0,8m de altura, 1,4m de comprimento e pesa cerca de 200kg. Pode mergulhar a 600 metros de profundidade, mas ainda não fez sua estréia no fundo do mar. “Temos planos de levá-lo em 2008 para um terminal da Petrobras, em Angra dos Reis”, informou Adamowski.
O Laurs foi financiado inicialmente pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), que disponibilizou por meio do CT-Petro (Fundo Setorial do Petróleo e Gás Natural) R$ 300 mil. Na fase atual, o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) investiu R$ 150 mil, por meio do mesmo fundo.
Pirajuba (do tupi, peixe amarelo) é outro robô da Poli. Coordenado pelo professor Ettore Apolônio de Barros, o veículo fará o mapeamento de atividades geológicas do fundo do mar e auxiliará à prospecção de petróleo. Concluída a primeira fase de investigação da hidrodinâmica do robô e do sistema propulsor, o projeto aguarda aprovação da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para o desenvolvimento do veículo.
Inspeção de obras e pesquisa
Em Jaú (cidade do interior de São Paulo), foi desenvolvido entre 1995 e 1998, na Fatec (Faculdade de Tecnologia), um robô aquático sob a coordenação dos professores Antônio Eduardo Amorim e Luís Alberto Sorani. O veículo leva o nome da cidade e está na segunda versão (Jaú II). Já passou pelos primeiros testes de análise hidrodinâmica nos tanques de prova do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e em ambas versões tem como objetivo operar em atividades subaquáticas para análise e inspeção de obras como pontes, barragens, verificar eixos de embarcações e as condições do leito de rios.
O Jaú I foi feito com a módica verba de R$ 5 mil doada pelo Consórcio Intermunicipal do Vale dos Rios Tietê-Paraná e contava com dois alternadores de trator convertidos para motor elétrico. Sem computador de bordo, capturava as imagens com uma câmera de videocassete e tinha dois cabos, um de dados e outro para as imagens.
A segunda versão possui apenas um cabo e a transmissão de imagens é feita via câmera digital. O Jaú II tem todos os componentes usuais de robôs submarinos, além de um sistema de sonar e outro de laser para ser acoplado às câmeras e determinar a distância de obstáculos. Com 3 metros de comprimento, 1,5m de largura e altura, pesa cerca de 300km, é feito de aço e fibra de vidro e foi construído com peças adaptáveis disponíveis no mercado brasileiro. “A bateria é de automóvel e o motor elétrico é o de corrico, fácil de encontrar em qualquer casa de material de pesca”, explicou Amorim.
O robô foi projetado para uma profundidade de 140 metros, mas suporta até 150 e até fevereiro de 2008 estará disponível para uso.
Na Coppe (Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia), pertencente à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), criou-se um robô aquático, desenvolvido inicialmente para inspecionar túneis subaquáticos das usinas hidrelétricas da Ampla, companhia de distribuição de energia. Segundo o vice-coordenador, Liu Hsu, após a finalização desse projeto, em 2006, pesquisadores do Departamento de Biologia Marinha da UFRJ tiveram a idéia de usar o protótipo para exploração do mar antártico durante o API (Ano Polar Internacional), de março de 2007 a março de 2009. “Pedimos uma licença de uso à Ampla e começamos a adaptar o Luma (nome do robô) para a Antártida.”
A missão no mar antártico tem como objetivo principal mapear a biodiversidade marinha nas águas profundas da baía do Almirantado, na Ilha Rei George, que fica próxima à península Antártica, uma das regiões do planeta que mais vem sofrendo com o degelo em função do aquecimento global. Encarregado da tarefa, o Luma partiu em 23 de novembro rumo à região Polar Sul. O responsável pelo monitoramento e operação do Luma na Antártica é o professor Ramon Costa, do Programa de Engenharia Elétrica da Coppe.
O robô é um veículo submarino de controle remoto ligado a um cabo. Com 90 centímetros de comprimento, 60cm de altura e 70cm de largura, pesa cerca de 30kg e foi construído para mergulhar a 40m de profundidade, porém está sendo adaptado para coletar material em até 500m. “Trocamos a estrutura, que era de alumínio, para um material plástico, chamado de acetal. Estamos refazendo o sistema de flutuação (hoje composto por garrafas PET), toda a parte eletrônica, além de mudanças estruturais específicas para a Antártida”, disse Hsu. Além dos equipamentos comuns de robôs aquáticos, o Luma será equipado com câmera de alta resolução para documentação.
Financiado pelo CNPq, o projeto custou R$ 380 mil até o momento e é coordenado pela professora Lúcia de Siqueira Campos, do Instituto de Biologia da UFRJ.



