O planeta está furioso?
Ronildo Divino de Menezes
O que está acontecendo? A rotação da Terra mudou de eixo? É possível, precisa ser averiguado. Quantos acontecimentos desastrosos, todos creditados à natureza. Numa parte do nosso planeta, vulcões adormecidos começam a despertar, geleiras vão se desprendendo de blocos antes tão coesos e espessos, os terremotos vão se repetindo por continentes afora, maremotos, tsunamis. Pedaços extensos de terra são engolidos pelo avanço das águas em intensa devastação. Vidas aos milhares são tragadas, homens, mulheres e crianças sucumbem impotentes ante descomunais desastres que se reproduzem em diferentes partes do nosso mundo. Gradativamente, a temperatura do planeta vai aumentando. Como suportar e por quanto tempo isso será possível?
Os acontecimentos prosseguem, com furacões, tornados em locais nunca antes visitados por esses fenômenos. Chuvas torrenciais, cidades inundadas, deslizamentos de encostas, barragens se rompem, pontes desabam, ricos e pobres sofrem desolados após as devastações. Progressivas manifestações do processo erosivo do solo, criminosas queimadas e derrubadas das matas. No continente asiático, nas Américas, na Europa, na África, as chaminés das indústrias ejetam CO2 na direção do céu, em quantidade abundante, acima do suportável. O senso de responsabilidade se ausentou das autoridades das nações que se dizem desenvolvidas ou em desenvolvimento, parecendo ignorar que a ganância poderá expulsar a vida do nosso planeta. Em outras escalas, as ocupações desordenadas, o rompimento do equilíbrio do ecossistema e tudo vai morro abaixo, e as cidades são inundadas, os rios transbordam, inclusive os poluídos, com riscos de pandemias.
A natureza que tanto ama e protege o homem de repente aparece como vilã, que não é, obrigada a produzir tanta desgraça. Tudo isso é lágrima que ela própria derrama, agredida que foi de forma tão desumana. Lá se vão os anéis e os dedos também por tudo que é profano. Lembrem-se de Adão e Eva, a ambição pela maçã os fez perder o Éden e tudo se repete, o pecado é vil, é hora de tomar outro norte, proteger as nascentes, não ir com tanto gás para os ares. É hora de ninar o mundo, se não o queremos furioso.
Ronildo Divino de Menezes é presidente do Senge-DF



