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Cresce Brasil

A questão urbana no Brasil diz respeito diretamente a 84% da sua população, tendo em vista ser essa a parcela que vive nas cidades. Ou seja, a tarefa do conjunto dos nossos municípios é assegurar condições de vida adequadas a mais de 160 milhões de pessoas, conforme os dados do Censo de 2010. Desde então, considerando ser razoável supor o aumento da população e do processo de urbanização, a tarefa só se ampliou.

Assegurar qualidade de vida a esse contingente significa produzir, entre outros itens, moradias, saneamento básico, transporte público e soluções de mobilidade, hospitais e postos de saúde, escolas, equipamentos de cultura e lazer, iluminação pública e, mais recentemente, acesso público à internet. Por fim, é preciso que haja empregos e oportunidades de geração de renda.

Lamentavelmente, as condições econômicas e operacionais da maioria das cidades estão longe de ser suficientes para atender a tais demandas. São escassos os recursos, tendo em vista a dependência dos municípios em relação aos estados e à União e falta também capacidade administrativa e técnica para elaborar, executar e fiscalizar projetos e obras.  Em outras palavras, as cidades brasileiras carecem de engenharia.

A esse quadro de dificuldades locais,  soma-se, desde o ano passado, a crise econômica, ocasionada por um cenário internacional altamente desfavorável, equívocos na administração da política econômica e ajustes de caráter recessivo que minaram investimentos públicos, paralisando os da iniciativa privada. A recessão e o desemprego geram, obviamente, queda na receita pública e reduzem a capacidade de gastos das administrações. 

Tais desafios estão na pauta do dia com a realização das eleições municipais em 2016 e precisam ser encarados com seriedade, responsabilidade e, sobretudo, determinação por aqueles que almejam ser eleitos prefeitos ou vereadores.

Oferecer uma contribuição nesse sentido é o objetivo da mais nova edição do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, cujo foco são as cidades.  Lançando mão da metodologia adotada desde o seu lançamento, em 2006 – a elaboração por especialistas de notas técnicas posteriormente submetidas ao debate com profissionais de todo o Brasil –, chegamos a um conjunto de diagnósticos dos principais problemas que afligem os municípios no País e sugestões de encaminhamentos de soluções factíveis.

Além do saber da engenharia, está na base dessa iniciativa o compromisso militante da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) com a melhoria das condições de vida da população e o desenvolvimento nacional, ora reforçado pelo engajamento da entidade ao movimento “Engenharia Unida”. Esse propõe a formação de ampla coalizão de profissionais e suas entidades representativas na busca de saídas às dificuldades enfrentadas pelo País. E aponta a valorização profissional da categoria como condição essencial para que essa possa contribuir efetivamente com um projeto de avanço socioeconômico sustentável. Portanto, nesta sua edição “Cidades”, o “Cresce Brasil” aborda também a imperativa necessidade de se resgatar a engenharia na gestão pública.

Por fim, é com convicção na nossa capacidade de superar as dificuldades e construir um Brasil democrático, justo e desenvolvido, com cidades boas de se viver, que apresentamos as ideias reunidas no “Cresce Brasil – Cidades”. Que possamos travar um debate profícuo e transformá-lo em ações.

 

 

Murilo Celso de Campos Pinheiro é presidente da FNE.

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