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Vistas a partir de São Paulo as eleições municipais apresentam tendências preocupantes, mais até que os próprios resultados.

Refiro-me à acachapante proporção de eleitores que recusaram participar das escolhas, seja por abstenção, por voto branco ou nulo. Este alheamento é antessala para propostas retrógradas da não obrigatoriedade do voto e alimenta o discurso antidemocrático: o povo não quer votar.

Mas tenho que me referir também ao endosso dado pela maioria do eleitorado votante ao apelo propagandístico contra a política e os políticos, com o endeusamento da “gestão” e, o que é pior, da gestão privada.

O candidato eleito em primeiro turno – privatista, fiscalista, controlador de gastos e administrativista – conseguiu aglutinar um campo de força (com base no fundo do quadro) que lhe dará impulso (e aos seus aliados) para a tomada de medidas que privilegiam o corte de gastos públicos, a reforma previdenciária e as privatizações. Sob este ângulo esta surpreendente vitória reforça as propostas que o movimento sindical tem apontado como negativas e aumenta as dificuldades para a resistência. O vitorioso pode se fazer passar por “trabalhador”, mas é essencialmente contra o movimento dos trabalhadores.

Mais uma vez comprovou-se a dificuldade do movimento sindical em se inserir com êxito no processo eleitoral; esta é uma tendência antiga que já vinha se manifestando antes e se confirma nessas eleições.

Os resultados foram muito precários em uma situação na qual o impulso organizado dos sindicatos foi diluído, com raríssimas exceções (registro apenas a vitória eleitoral do presidente do sindicato dos professores municipais, que já havia sido vereador).

Se alongarmos as vistas para o Estado, pode-se elogiar o relativo sucesso no interior, da Corrente Comerciária, que conseguiu ampliar a presença de dirigentes sindicais em câmaras de vereadores.

 

 

João Guilherme Vargas Netto é analista político e consultor sindical da FNE.

 

 

 

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