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Aqueles que leem o que venho escrevendo percebem que quase nunca critico publicamente alguma ação sindical que considero errada e nunca individualizo críticas a tal ou qual dirigente ou ativista por seu erro eventual.

Vou abrir uma exceção justificada pela gravidade dramática da conjuntura sindical e pela necessidade premente de acerto para superá-la sem bravatas, sem ilusões e sem erros.

Refiro-me, constrangido, à nota pública de Ricardo Patah, presidente da UGT dissociando-se e sua entidade das manifestações unitárias do dia 22 de março contra a deforma previdenciária.

Esta defecção, lamentável, tem como principal justificativa o fato de que a entidade vem discutindo uma reforma (talvez diferente da proposta do governo) e que, portanto, não pode participar das manifestações cuja motivação central é a de ser contra a deforma do governo. Entenderam? Nem eu!

Como o diabo tem chifres, mas balança o rabo, depois de afirmar essa incongruência o dirigente “libera” os associados e associadas da UGT e mesmo suas direções estaduais para participarem das manifestações mas “obviamente não pode (sic) perder de vista os nossos objetivos”. Eu pergunto: quais objetivos? Seria melhor que os tivesse afirmado abertamente ou não tivesse feito a nota.

Uma nota poderia vir a ser aceitável se o tempo fosse outro em que as discussões congressuais já estivessem ocorrendo; hoje, antes do dia 22, é divisão pura e simples, gol contra.

O companheiro Patah, inteligente e informado como é, na busca de contatos com a equipe bolsonarista e recebendo dela alguns agrados, comete com sua nota um erro grave, erro que começa pela lógica, passa pela prática e termina inapelavelmente com desorientação. Pode ser até que se frustre em suas pretensões.

A hora, agora, para o movimento sindical é a de resistência e unidade, únicos antídotos eficazes contra a crise que assola o movimento e únicos elementos capazes de nos aproximar de nossas bases, sem as quais nada seremos, mesmo que acreditemos, como Patah e sua nota, que acertamos sozinhos, iludidos e desmobilizados.

 João Guilherme Vargas Netto é analista político e consultor sindical da FNE

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