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Os parlamentares que se preparavam para aprovar a reforma trabalhista nesta terça-feira (11)  foram pegos de surpresa pelas senadoras que ocuparam a mesa da Casa e passaram a conduzir a sessão, recusando o lugar ao presidente do Senado, Eunício Oliveira, que chegou uma hora atrasado. A resposta foi a radicalização: sessão suspensa, luzes apagadas, microfones cortados e portas protegidas com uma barreira policial, enquanto a base do governo procurava outro local para fazer a sessão e votar a reforma.

Ironia: os movimentos sindicais que haviam sido impedidos por ordem da Presidência de ocupar as galerias do plenário para acompanhar as votações, acabaram concentrados justamente na área que da frente ao auditório Teotônio Vilela, local pretendido pelo presidente Eunício para prosseguir com a votação. E barraram a entrada.

As senadoras Fátima Bezerra (PT-RN), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Lídice da Mata (PSB-BA), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Regina Sousa (PT-PI), que ganharam o reforço de Kátia Abreu (PMDB-TO), Ângela Portela (PT-ES) e Benedita da Silva (PT-RJ) decidiram permanecer, mesmo às escuras, revezando-se nos postos ocupados da mesa legislativa.  Os acontecimentos passaram a ser acompanhados por transmissões de aparelhos celulares de quem estava por ali, gerando manifestações e compartilhamento nas redes sociais. Um ou outro parlamentar conseguia vencer o cerco e aparecia para relatar as tensões e conversas correndo do lado de fora. Deputadas federais, que estavam na Câmara dos Deputados, como Luiza Erundina (PSol-SP) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) também se dirigiram para lá.

Enquanto isso, situação e oposição passaram a discutir uma saída ao impasse. Para as parlamentares, o acordo só é possível se houve garantia de que um dos destaques contra aspectos do projeto de lei seja aprovado, obrigando a devolução da matéria à Câmara dos Deputados. A emenda em discussão é aquela que permite às lactantes trabalharem em locais de insalubridade. 

Atrasar a aprovação é tudo que o governo não quer, uma vez que a situação de Michel Temer se agrava com o aprofundamento da crise política e, em particular, após o relatório do deputado Sergio Zveiter, da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que orientou seus integrantes a aceitarem a denúncia do Ministério Público contra o atual ocupante da Presidência da República, por crime de corrupção. Com isso, o assunto vai ao plenário e os deputados terão de se manifestar publicamente se a denúncia deve ou não ser investigada pelo Supremo.

A devolução do projeto da reforma e o retardamento da votação pode encontrar uma Câmara dos Deputados com ânimos menos favoráveis às pressões governistas, uma vez que a primeira passagem do texto pela casa já foi bastante desgastante. Apesar de mais de uma centena de emendas, o plenário obedeceu ao governo e votou o projeto sem mudanças.

Aceitar ou não o acordo pretendido pela oposição é o que deve ser decidido nesta tarde de quarta-feira. Enquanto isso, as mulheres enfrentam as enormes pressões dos reformistas e brilham na resistência, mesmo na escuridão.

Rita Freire - Imprensa FNE

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