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Antonio Divino Moura, então diretor do InMet, no lançamento do hot site especial com as principais informações sobre os efeitos da crise hídrica na agricultura brasileira em 2015. Foto: José Cruz/Agência BrasilAntonio Divino Moura, então diretor do InMet, no lançamento do hot site especial com as principais informações sobre os efeitos da crise hídrica na agricultura brasileira em 2015. Foto: José Cruz/Agência BrasilO engenheiro Antonio Divino Moura, coordenador do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Inpe, foi escolhido pela Organização Meteorológica Mundial (WMO), das Nações Unidas, para receber o principal prêmio científico da instituição “pelo excelente trabalho em meteorologia e climatologia e pesquisa científica”.

O Prêmio IMO foi criado em 1955 com a denominação em homenagem à Organização Meteorológica Internacional (IMO), que fundada em 1873 e incorporada às Nações Unidas em 1950, passando a ser a WMO, hoje integrada por 191 países.

A premiação é concedida pelo Conselho Executivo da WMO “em reconhecimento de contribuições destacadas para o campo da meteorologia, hidrologia, climatologia ou áreas afins”, informou a instituição na sexta-feira com a nota “Divino Moura, do Brasil, ganha Prêmio IMO”.

‘Aluno brilhante’ na prisão

Divino Moura, como é mais conhecido no Brasil, também foi diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (InMet) em dois períodos, de 1985 a 1988 e de 2003 a 2016. Nasceu em Ituiutaba (MG), e se formou em engenharia elétrica em 1969 pela Universidade Federal de Minas Gerais (MG).

“No Inpe, em 1970, logo se destacou como um dos mais brilhantes estudantes que entraram naquele ano para fazer o mestrado”, afirmou físico Ricardo Magnus Osorio Galvão, atual diretor do instituto. O jovem foi convencido pelo então diretor, Fernando de Mendonça, a se especializar em meteorologia, “uma área importante mas então muito atrasada no país”, explicou Galvão.

Apesar desse reconhecimento, para Divino Moura aquele foi “período difícil, tendo chegado mesmo a ser preso no regime militar por ter sido presidente do diretório acadêmico”,  disse Galvão. O jovem interrompeu seu mestrado em 1971, e foi aceito com bolsa da Nasa pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, onde obteve o doutorado em 1974.

Reconhecimento internacional

A tese de doutorado lhe deu reconhecimento internacional, segundo Galvão. “Ele ganhou o prêmio Carl Gustav Rossby de melhor tese de doutoramento do Departamento de Meteorologia do MIT, em 1975, e o Prêmio de Cientista Jovem da WMO em 1977”, acrescentou o diretor do Inpe.

Em 1981, durante seu pós-doutorado no Centro de Vôos Espaciais Goddard, da Nasa, Divino Moura publicou um artigo com Jagadish Shukla, seu colega do MIT, sobre a dinâmica de secas no Nordeste do Brasil. “Utilizando simulações numéricas de um modelo de circulação global, [esse estudo] se tornou uma referência para o a previsão das estações de seca naquela região”, disse Galvão.

Após esse período mais voltado à pesquisa, o pesquisador brasileiro teve atuação destacada na criação do CPTEC, do Inpe, em Cachoeira Paulista (SP), em suas duas gestões no InMet e em outros projetos e instituições de pesquisa. No exterior, entre outros cargos, foi diretor geral e fundador do Instituto Internacional para a Pesquisa em Clima e Sociedade (IRI), na Universidade Columbia, em Nova York, e 1º vice-presidente de 2011 a 2016 da WMO, da qual também é representante permanente do Brasil.

Divino Moura será convidado para proferir uma palestra científica e para receber homenagem em uma cerimônia de premiação no Congresso da WMO, em junho de 2019, em Genebra, na Suíça, informou a agência da ONU.

Direto da Ciência

Na imagem acima, de fevereiro de 2015, o meteorologista Antonio Divino Moura, então diretor do InMet, no lançamento do hot site especial com as principais informações sobre os efeitos da crise hídrica na agricultura brasileira. Foto: José Cruz/Agência Brasil

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