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Um dia você acorda e decide que gostaria de ver o mundo com outros olhos. Entra em um consultório e pede ao médico que seja implantado um sensor capaz de fazê-lo enxergar para além das três dimensões.

Hoje isso não passa de ficção. No caso, da lavra de  Rogério Martins, professor da Universidade Nova de Lisboa que se tornou “o rosto da Matemática em Portugal”, como foi apresentado antes de iniciar sua palestra no Congresso Internacional de Matemáticos (ICM) 2018, no Rio.

ImpaImpaPesquisador da área de Equações Diferenciais e Sistemas Dinâmicos e criador e apresentador do programa de TV “Isto é Matemática” – agraciado com o melhor programa de divulgação científica –  ele consegue transformar conceitos por vezes herméticos em histórias de amplo alcance, elaboradas com base no conhecimento, na pesquisa, na criatividade e no carisma.

Na apresentação da tarde desta quarta-feira, Rogério lançou uma pergunta que o fascina há muito tempo, desde a graduação, e  provavelmente, intriga muita gente: “Por que não conseguimos ver para além das três dimensões?”

A resposta pode ser óbvia para muitos, ou seja, vemos o que somos evolutivamente capazes de ver. Porém, como ele mesmo deixou claro após cerca de 1 hora de palestra, isso ocorre porque simplesmente é assim que somos, mas poderia ter sido de outra forma.

As coordenadas são necessárias para localizamos um ponto no espaço. Teemos espaços com 1, 2 e 3 dimensões. Do ponto de vista matemática, não há limites para essa compreensão. Um espaço com 4 dimensões, por exemplo, possui as mesmas características dos três primeiros.

“Ele também tem conceitos de distância e posso definir ângulos”, explicou Rogério, acrescentando que a única diferença reside no fato de que não conseguimos representá-lo graficamente.

Para falar sobre a nossa limitação em ver o mundo em múltiplas dimensões, ele explicou que a cor é um espaço com dimensões infinitas e detalhou como o olho humano e outras espécies se apropriam das cores.

Ao concluir que o fato de conseguirmos visualizar em três dimensões seja, provavelmente, uma característica de nossa espécie, Rogério lançou outra lançou outra pergunta: será que a própria Matemática teria sido diferente se nós tivéssemos outro tipo de intuição espacial?”.

Ele acredita que sim. Isso porque, embora não haja limite para a Matemática, estamos muito atrelados à intuição física tridimensional. “Nosso trabalho é com espaço de dimensões infinitas, mas, muitas vezes, voltamos ao tridimensional. A nossa forma de fazer Matemática está constantemente baseada nisso. Está limitada, muitas vezes, por aquilo que conseguimos representar em gráficos”.

Ao fim da palestra, a última do Ciclo IMPA-Serrapilheira de Popularização da Matematica, Lizie Bony, aluna de licenciatura em Matemática da Universidade Federal Fluminense, entrou na fila para parabenizar Rogério, que já conhecia pelos programa “Isto é Matemática”. “Já usei até vídeos dele para em aulas sobre sólidos. Gostei imensamente da palestra”, concluiu.

Impa

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