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Se a alimentação saudável para a população dependesse da maioria dos programas dos candidatos à Presidência, a população poderia estar fadada ao lento envenenamento. Dos 13 candidatos, nada menos do que 9 ignoram totalmente essa pauta em seus programas apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Plataforma dos Consumidores: pressione os candidatos a aderirem às propostas de alimentação saudável 

Grande maioria nem sequer cita comida saudável em seus programas de governoGrande maioria nem sequer cita comida saudável em seus programas de governoA alimentação saudável e adequada é um dos fatores essenciais para a promoção da saúde. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) defende, em sua Plataforma dos Consumidores, as seguintes prioridades dentro do tema Comida de Verdade:

a) A rejeição do Projeto de Lei 6299/2002 e seus apensados, conhecido como Pacote do Veneno, e a aprovação da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNaRA), conforme previsto no Projeto de Lei 6670/2016;

b) A eliminação de subsídios e desonerações na cadeia de produção de alimentos e bebidas potencialmente nocivos à saúde e adoção da recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) para a implementação de políticas fiscais que aumentem em 20% os preços finais de bebidas açucaradas;

c) A aprovação ee imediata implementação da revisão da norma de rotulagem nutricional, com a adoção de uma rotulagem frontal de advertência a ser publicada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e que contempla os interesses da saúde pública;  

d) A promoção da alimentação saudável nas escolas, com aprovação de projetos de lei que restrinjam a oferta de bebidas adoçadas e produtos ultraprocessados;

e) A proibição da publicidade infantil em ambientes frequentados por crianças, conforme previsto no CDC (Código de Defesa do Consumidor).
 
Dentro dos critérios citados, os candidatos à presidência Ciro Gomes, Fernando Haddad, Guilherme Boulos e Marina Silva se destacam com propostas que abordam alguns pontos da pauta Comida de Verdade em seus programas de governo. Confira:
 
Ciro Gomes
O candidato do PDT menciona, de forma lateral, algumas medidas para a produção mais sustentável, ao mesmo tempo que cita com maior frequência o agronegócio. Seu programa aborda também o desenvolvimento de defensivos agrícolas específicos para as culturas e problemas brasileiros, de menor conteúdo tóxico para as pessoas e o meio ambiente. Cita, ainda que sem profundidade, a agricultura familiar e a economia solidária em arranjos produtivos locais. No entanto, não menciona a obrigatoriedade de rotulagem informativa e da adoção de medidas fiscais para coibir alimentos e bebidas não saudáveis.
 
Fernando Haddad
O candidato do PT tem o programa com maior aderência à pauta. O documento contempla por completo a rejeição do pacote do veneno e a aprovação da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNaRA). Na questão da eliminação de subsídios, vai na direção correta, mas não dá detalhes, como os instrumentos para alcançar o objetivo e as verbas para viabilizá-lo. Por fim, só menciona, sem profundidade, o apoio à aprovação e imediata implementação da revisão da norma de rotulagem nutricional.
 
Guilherme Boulos
Como no de Haddad, o programa do candidato do PSOL vai ao encontro das pautas do consumidor também na questão da rejeição ao pacote do veneno e no apoio à PNaRA. Ainda menciona a proibição de publicidade para crianças até 12 anos, sem se alongar mais no tema. No entanto, se esquece da revisão da norma de rotulagem nutricional e da eliminação de subsídios e desonerações na cadeia de produção de alimentos e bebidas potencialmente nocivos à saúde.
 
Marina Silva
A candidata da Rede contempla o item que prevê a rejeição do Pacote do Veneno e a aprovação da PNaRA. Marina cita, de forma tangencial, o termo alimentação saudável, ainda que repetidas vezes. Seu programa utiliza o slogan Criança é Prioridade Absoluta, mas foca apenas na primeira infância e não detalha caminhos mais claros em relação ao ambiente escolar. Questões como rotulagem e o fim de subsídios a alimentos e bebidas potencialmente nocivos à saúde não são mencionadas.
 
Outros candidatos
Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin , João Amoêdo, Henrique Meirelles, Álvaro Dias, João Goulart Filho, Cabo Daciolo, Vera Lúcia e Eymael não abordam as pautas da alimentação adequada e saudável em seus programas de governo.

Fonte: Idec

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