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Essa é a tarefa diante da crise, afirma diretor técnico do Dieese, que critica ajuste fiscal recessivo

Qual o balanço das negociações salariais realizadas no primeiro semestre de 2015?

Foram campanhas salariais mais difíceis. Temos uma situação de dificuldade no crescimento econômico com reflexo em diferentes setores, simultânea a uma crise internacional muito forte e grave que regula a demanda das economias, e, portanto, a nossa estratégia exportadora fica em parte comprometida.

Tem, ainda, questões de ordem interna decorrentes de adversidades – por exemplo, aumento dos preços por causa de enchentes ou falta de chuva ou água em algumas regiões e da elevação de insumos, como a energia. A Operação Lava Jato também tem reflexo muito forte na área de investimento e sobre o setor da construção pesada.

Se em 2014 92% dos acordos coletivos de trabalho conquistaram ganho real, em 2015 o grande tema das mesas de negociação, além da reposição salarial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), tem sido a preservação do emprego. A constatação é do sociólogo Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Nesta entrevista ao Engenheiro, ele avalia o cenário econômico brasileiro de recessão e defende uma mudança radical na política macroeconômica do governo federal. Sem isso, avisa o especialista, o País enfrentará uma recessão longa que comprometerá o seu desenvolvimento sustentável.

Como os sindicatos têm realizado as negociações dos acordos coletivos?

Eles mantêm uma estratégia de luta, organização e mobilização importante, valorizando aspectos relacionados à proteção ao emprego. O movimento sindical tem mantido o equilíbrio de quem sabe que, neste momento, as negocia- ções devem estar conectadas com esse ambiente e ter clareza das prioridades, entre elas a preservação do emprego.

É um cenário radicalmente diferente do de anos anteriores.

Exatamente. Depois de mais de uma década de economia pujante e desenvolvimento que repercutiu, favoravelmente, no emprego e nos salários, que criou um ambiente favorável às negociações coletivas e à ação sindical, enfrentamos esse quadro adverso.

Quando a situação começou a mudar?

O ano de 2014 já começou a ser um anúncio dessa situação, percebida na construção civil, especialmente a pesada, na indústria da transformação, de alimentação e têxtil, no setor automotivo. Também observamos o problema do desemprego no comércio e no setor de serviços, atividades que estão relativamente distribuídas em todo o território nacional e responsáveis por mais de 70% das ocupações no País.

Qual a influência das medidas de ajuste nesse cenário?

Essas medidas – que visam reequilibrar o orçamento da União, receita e despesa –, ao controlarem os gastos do governo, reduzem a própria demanda da sociedade e impactam o nível de atividade, porque o governo compra e contrata menos. Todavia, o nosso problema em relação à infla- ção não é de demanda nem associado ao desequilíbrio das contas externas, ela está fortemente influenciada por um choque de custos – de várias fontes, como já falei, como a crise da água, enchentes, secas, preço da energia e de outros insumos.

Qual a saída?

Se o Estado brasileiro precisa fazer um ajuste nas suas contas, propugnamos que considere o cenário geral e reprograme essa intervenção no tempo. Não é possível fazer ajuste dessa magnitude num contexto de recessão econômica, como estamos observando no País. Se você considerar cada elemento desses isoladamente, um não é suficiente para gerar as dificuldades que estamos enfrentando. O problema é que todos estão ocorrendo ao mesmo tempo. Aí o Banco Central vem e aplica uma política monetária extremamente perversa para a economia, com uma taxa de juros (Selic) escandalosamente alta. Nem depois de tudo que o BC fez, a inflação muda de curso, porque o problema não é de demanda, pelo contrário, o que ocorre é que a indústria está produzindo com um custo mais alto.

Quais as perspectivas para 2015 e próximos anos?

As dificuldades serão a base deste ano, mas ainda assim estamos longe da recessão econômica observada em países centrais da Europa ou dos Estados Unidos. A grande torcida é que não tenhamos uma condução macroeconômica que conduza o País por um processo recessivo mais longo.

Quais essas medidas?

Antes de tudo, é preciso mudar o eixo da política macroeconômica. O governo precisa fazer um esforço muito grande para avançar na área do investimento da infraestrutura, nas concessões. Precisamos reorientar a política monetária. É necessá- rio valorizar o papel dos bancos públicos nos financiamentos, especialmente o do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Resolver o problema da Operação Lava Jato e separar o que é a punição das pessoas da preservação das empresas e manutenção dos investimentos e da capacidade da engenharia nacional.

Dessa forma a economia brasileira se recupera?

A crise política é muito grave e cria várias restrições e inseguranças. Eu diria que se o governo conseguir recuperar a capacidade de articulação macroeconômica e orientar-se por algumas dessas medidas que acabamos de falar, a economia no final deste ano e início de 2016 já poderia apresentar resultados favoráveis.

Qual a importância de uma indústria forte nesse cenário?

Há mais de duas décadas estamos atingindo a nossa indústria com uma política cambial desvalorizada – que desestimulou a atividade industrial no momento em que expandimos o nosso mercado de consumo interno. O câmbio favoreceu muito mais a importação, agora sentimos as consequências. Outro ponto importante é que o Estado brasileiro não promoveu as reformas necessárias para sustentar outro nível de desenvolvimento, como a tributária, fiscal, política, da comunicação e assim por diante. Vivemos as consequências das decisões tomadas e daquelas que não foram encaminhadas.

 

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