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A constatação assustadora que foram gerados efeitos danosos na memória/mente das pessoas, particularmente dos trabalhadores, decorrentes da pandemia de Covid-19 tem motivado estudos e pesquisas cada vez mais intensificados e continuados. 

unnamed 2A Covid-19, especialmente em casos mais graves, pode causar problemas de saúde a longo prazo, incluindo problemas cognitivos que ficaram conhecidos como “Condição Pós-Covid-19, popularmente conhecida como "Covid Longa" ou "Covid Persistente".

Um dos sintomas mais relatados é a "névoa cerebral", que pode se manifestar como: dificuldade de concentração; perda de memória de curto prazo; problemas para encontrar palavras; confusão mental.

Existem estudos associados ao tema cujos resultados, entretanto, variam bastante dependendo da metodologia e do grupo de pessoas analisado. Estudos focados em pacientes hospitalizados ou com casos graves de Covid-19 mostram uma alta porcentagem de pessoas com algum tipo de déficit cognitivo; o que, por si só, já seria um problema de saúde pública significativo.

A Covid-19 pode sim causar problemas de memória e outros déficits cognitivos com frequência e gravidade que dependem, todavia, de vários fatores. A pesquisa científica continua aprofundando o entendimento sobre a "Covid Longa" para encontrar as melhores formas de tratamento e apoio aos pacientes. Mas, é importante ressaltar que a perda de memória tem intensidade e a duração que variam muito de pessoa para pessoa.

Entende-se por Distúrbios Cognitivo as diferentes formas que a mente humana pode falhar gravemente devido a alterações que afetam diretamente a cognição ressaltando; sendo, pois, efetivamente, um tipo de “distúrbio mental” que afeta centralmente as habilidades cognitivas do ser humano.

Pondere-se, entretanto, que “o transtorno mental cognitivo (o distúrbio cognitivo) é um distúrbio de natureza psicológica que provoca problema no funcionamento normal das funções cognitivas básicas gerando importantes alterações na mente em diferentes níveis quanto à capacidade de entender e resolver problemas”.

“As disfunções promovidas pelos distúrbios cognitivos afetam sobremaneira tanto as funções cognitivas básicas ou primárias (atenção, percepção, memória, raciocínio) quanto as funções cognitivas complexas ou superiores (orientação, idiomas, habilidades práticas, funções executivas, capacidade de resolução de problemas)”; conforme a literatura básica tem ensinado.

O conceito padrão sobre “distúrbios neurológicos” preconiza “que as correspondentes disfunções são caracterizadas pelo desenvolvimento de alguma anormalidade no cérebro, medula espinhal, nervos ou terminações nervosas”. Neste sentido, é correto afirmar que “distúrbios neurológicos” representam doenças que acometem as estruturas do sistema nervoso e, portanto, são capazes de afetar a rotina e a autonomia dos acometidos com diferentes formas e intensidades. E mais uma, vez observa-se, que os trabalhadores são mais afetados diretamente.

O sistema nervoso humano, que se divide em central (composto pelo cérebro e pela medula espinhal) e periférico (formado pelos nervos que se espalham pelo corpo), é o responsável pela transmissão de impulsos elétricos. Esses impulsos comandam e coordenam todos os movimentos do corpo, tanto os voluntários (controlados conscientemente) quanto os involuntários (automáticos). O cérebro, como principal órgão do sistema, é o centro de comando que gera e processa esses sinais.

Quando ocorrem transtornos neurológicos, há desordens na formação ou na transmissão desses comandos, causando disfunções motoras e sensoriais. É importante ressaltar que os pacientes com essas condições não têm controle sobre o surgimento ou a progressão da doença, embora o tratamento médico possa, em muitos casos, ajudar a gerenciar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Entre os diversos tipos de Transtornos Neurológicos estão os Transtornos do Desenvolvimento como o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), a Paralisia Cerebral, Distúrbio do Comportamento. Há também os Transtornos Degenerativos, caracterizados pela perda progressiva de neurônios ao longo da vida, como a DA (Doença de Alzheimer), a Doença de Parkinson, a Esclerose Múltipla (EM), a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), a Distrofia Muscular (DM), a Atrofia Muscular Espinhal (AME). Outras categorias importantes incluem os Transtornos Neurológicos Funcionais, que causam sintomas sem uma lesão detectável, e condições específicas como a Epilepsia e os Transtornos do Sono, cada uma com suas próprias particularidades no funcionamento do sistema nervoso.

Cada um dos transtornos considerados precedentemente pode afetar a vida profissional de um trabalhador, mas de maneiras e em intensidades diferentes. A forma como cada transtorno impacta o trabalho depende muito do tipo e da gravidade do transtorno, além, naturalmente, das exigências específicas de cada cargo ou função.

Pessoas com TEA, por exemplo, podem ter habilidades únicas e excepcionais em áreas como lógica, matemática ou atenção aos detalhes. No entanto, podem enfrentar desafios na comunicação social, em ambientes de trabalho com muitas interações ou que exigem flexibilidade em rotinas. O TDAH pode afetar a concentração, a organização e a gestão de tempo. Trabalhadores com TDAH podem ter dificuldade em tarefas monótonas ou que exigem atenção prolongada, mas podem ser extremamente criativos, energéticos e adaptáveis em ambientes mais dinâmicos. Dependendo da gravidade e da área afetada, a Paralisia Cerebral pode causar dificuldades de movimento, coordenação ou fala. Isso pode impactar trabalhos que exigem esforço físico ou comunicação oral. No entanto, muitos indivíduos com Paralisia Cerebral têm suas funções cognitivas totalmente preservadas e se destacam em cargos que valorizam outras habilidades.

Já a DA e a Doença de Parkinson são doenças neurodegenerativas progressivas, o que significa que seus sintomas pioram com o tempo. Ambas podem afetar as funções motoras e cognitivas, tornando o trabalho progressivamente mais difícil. A Doença de Parkinson, por exemplo, pode causar tremores e rigidez, enquanto a DA impacta a memória e o raciocínio. Geralmente, nesses casos, o trabalhador é obrigado a se afastar de suas atividades. A EM pode causar fadiga, fraqueza, problemas de visão e dificuldades de coordenação, com surtos de sintomas que podem ir e vir. Já a ELA é uma doença degenerativa que afeta o movimento, levando à perda progressiva da força muscular. Ambas são crônicas e podem exigir adaptações no trabalho ou, em estágios mais avançados, o afastamento definitivo. A DM e a AME são condições que causam fraqueza e degeneração muscular. Dependendo da severidade, podem dificultar ou impedir a realização de trabalhos que exijam esforço físico ou que sejam de longa duração.

Mas, outras condições, como Epilepsia e Transtorno do Sono também são complexas e podem impactar gravemente no trabalho profissional. As crises epilépticas podem ser imprevisíveis e perigosas, especialmente em ambientes de trabalho com maquinário pesado, alturas elevadas ou outras situações de risco. A falta de sono de qualidade pode afetar drasticamente o desempenho no trabalho, impactando a concentração, o humor e a produtividade. A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), a insônia crônica e a narcolepsia, por exemplo, são condições que podem levar à sonolência diurna excessiva, aumentando o risco de acidentes e a queda de produtividade.

Todos os transtornos podem atingir o trabalhador, exigindo adaptações, flexibilidade e, em alguns casos, o afastamento do mercado de trabalho. Todavia, a legislação brasileira busca garantir a inclusão e o suporte a esses profissionais; embora, infelizmente, não seja suficiente conforme o dia a dia tem mostrado.

Em um cenário global marcado pelo envelhecimento populacional e pela crescente complexidade das relações laborais, torna-se urgente repensar como a sociedade lida com questões como a demência de início precoce e os determinantes sociais da saúde mental; principalmente no mundo do trabalho. Todavia, ambos os temas, embora distintos, convergem em um ponto essencial: a necessidade de uma abordagem humanizada, inclusiva e multidisciplinar que reconheça o valor do indivíduo para além de suas limitações cognitivas ou contextos socioeconômicos.

A demência, tradicionalmente associada à aposentadoria e à velhice, vem se manifestando cada vez mais em pessoas com menos de 65 anos, desafiando empresas e políticas públicas a se adaptarem. O preconceito ainda é a principal barreira enfrentada por trabalhadores diagnosticados, que são frequentemente excluídos do mercado de trabalho sob a falsa premissa de incapacidade total. Essa visão reducionista ignora o potencial de contribuição de indivíduos nas fases iniciais da doença, especialmente quando inseridos em rotinas já estabelecidas e ambientes acolhedores.

Paralelamente, a saúde mental é profundamente influenciada por fatores sociais como pobreza, educação, trabalho, urbanização e discriminação. O modelo biopsicossocial propõe uma visão mais ampla da saúde, considerando não apenas os aspectos biológicos e psicológicos, mas também os contextos sociais em que o indivíduo está inserido. A exclusão social, o desemprego e a violência são fontes de sofrimento psíquico que, muitas vezes, são invisibilizadas pelas estruturas institucionais.

Diante desses desafios, a tecnologia assistiva e a inteligência artificial surgem como ferramentas promissoras para promover inclusão e autonomia. Softwares de organização, assistentes de voz e plataformas digitais podem compensar perdas cognitivas e facilitar a permanência de pessoas com demência no ambiente de trabalho. Do mesmo modo, políticas públicas que garantam acesso a serviços de saúde mental, educação e segurança são fundamentais para mitigar os efeitos dos determinantes sociais e promover o bem-estar coletivo.

Mais do que uma questão de saúde, o enfrentamento da demência e dos transtornos mentais no trabalho é um reflexo do compromisso da sociedade com a diversidade, a empatia e a justiça social. Criar ambientes flexíveis, combater o estigma e investir em educação são passos indispensáveis para construir uma sociedade mais resiliente e inclusiva. Afinal, a forma como tratamos os mais vulneráveis revela não apenas nossos valores, mas também nossa capacidade de evoluir.

A demência e a saúde mental dos Engenheiros, em particular, são temas que se entrelaçam e merecem especial atenção. As exigências do trabalho nas Engenharias, a competitividade e a constante pressão por resultados podem impactar significativamente a saúde mental dos Engenheiros, tornando-os mais vulneráveis a problemas como o estresse crônico, a ansiedade e a depressão, fatores de risco conhecidos para o desenvolvimento de demência.

Os Profissionais das Engenharias são muito demandados em suas ações constantemente. A resolução de problemas complexos, a tomada de decisões cruciais, a gestão de projetos de grande escala e o cumprimento de prazos apertados são parte do cotidiano. Essa carga de trabalho intelectual e a responsabilidade podem levar a um esgotamento mental. O estresse prolongado, sem o devido manejo, pode causar alterações neuroquímicas e estruturais no cérebro, prejudicando a memória, a concentração e as funções executivas, que são as habilidades cognitivas essenciais para o planejamento e a execução de tarefas. Esses sintomas, se não forem tratados, podem se agravar e mimetizar ou até mesmo contribuir para o surgimento de quadros demenciais no futuro.

Além disso, a cultura de trabalho em algumas áreas das Engenharias, que valoriza a resiliência e a capacidade de lidar com a pressão, muitas vezes desencoraja a busca por ajuda psicológica. A crença de que é preciso ser "forte" para ter sucesso na profissão pode fazer com que muitos engenheiros escondam seus problemas de saúde mental, temendo serem vistos como fracos ou incapazes. Essa estigmatização impede que eles recebam o tratamento adequado, o que agrava a situação e aumenta os riscos a longo prazo.

É fundamental que as empresas e as instituições de ensino de engenharia reconheçam a importância da saúde mental e ofereçam suporte aos seus funcionários e estudantes. Programas de bem-estar, acesso a atendimento psicológico e psiquiátrico, e a criação de ambientes de trabalho que valorizem o equilíbrio entre vida profissional e pessoal são medidas essenciais. Promover a conscientização sobre o tema e desmistificar a busca por ajuda são passos cruciais para romper o ciclo de estigmatização e proteger a saúde mental e cognitiva dos engenheiros, garantindo assim uma carreira mais sustentável e uma vida com mais qualidade.

De outro lado, entretanto, não se deve deixar de mencionar que a relação entre as Engenharias e o avanço no tratamento e compreensão de Distúrbios Cognitivos e Neurológicos tem se intensificado, representando um campo de pesquisa e aplicação em constante crescimento. As Engenharias não se limitam mais apenas a construir pontes ou máquinas dado que se estendem ao desenvolvimento de tecnologias que auxiliam na pesquisa, diagnóstico, tratamento e reabilitação de condições complexas do cérebro também.

Uma das maiores contribuições das Engenharias é no aprimoramento das ferramentas de diagnóstico. A Engenharia Biomédica tem sido fundamental no desenvolvimento de tecnologias de imagem cerebral, como a Ressonância Magnética funcional (fMRI) e a Eletroencefalografia (EEG), que permitem aos médicos visualizarem a atividade cerebral em tempo real. A engenharia de software, por sua vez, cria algoritmos avançados para analisar grandes volumes de dados de EEG, auxiliando na identificação de padrões associados a distúrbios como a epilepsia e a demência.

O uso de wearables, como smartwatches e dispositivos vestíveis, também é uma área em que a engenharia tem feito a diferença. Esses dispositivos podem monitorar continuamente sinais vitais, padrões de sono e até mesmo movimentos, fornecendo dados cruciais para o acompanhamento de doenças como o Parkinson, permitindo que os médicos ajustem os tratamentos de forma mais precisa e em tempo real.

A Engenharia passa a ser essencial, também, para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas. A Robótica e a Inteligência Artificial (IA) estão sendo usadas para criar dispositivos de reabilitação. Robôs podem auxiliar pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC) a recuperar a função motora de seus membros, fornecendo repetições de movimentos que seriam difíceis de serem realizados por um terapeuta humano. A IA, por sua vez, pode adaptar os exercícios de reabilitação de acordo com o progresso do paciente, tornando o tratamento mais eficaz.

A Neurotecnologia é outra área em crescimento. Engenheiros estão projetando interfaces cérebro-computador (BCIs), que permitem que pessoas com paralisia grave controlem próteses robóticas ou computadores usando apenas o pensamento. A estimulação cerebral profunda (DBS), um tratamento cirúrgico para Parkinson, também é um exemplo de como a engenharia se alia à neurociência para desenvolver dispositivos implantáveis que enviam pulsos elétricos para áreas específicas do cérebro, aliviando os sintomas.

É importante salientar que a Neurociência é a área do conhecimento dedicada ao estudo científico do sistema nervoso e suas funções. Estabelecida como uma Ciência profundamente interdisciplinar, integrando saberes de diversas áreas como anatomia, psicologia, medicina, física, matemática e, notavelmente, a lógica, a Neurociência além de inovadora mostra-se inolvidável arregimentando conhecimentos de distintas áreas para melhor entender nuances dos Distúrbios Cognitivos em distinção com os Distúrbios Neurológicos.   

O futuro aponta para uma colaboração ainda mais estreita entre Engenheiros, Neurologistas dentre outros especialistas. A Engenharia Genética e a Nanotecnologia estão abrindo caminho para o desenvolvimento de terapias inovadoras, como a entrega de medicamentos diretamente para o cérebro. Além disso, a Engenharia de Software tem um papel importante na criação de aplicativos e plataformas de telemedicina que tornam a avaliação cognitiva e o suporte terapêutico mais acessíveis a pacientes em áreas remotas.

Pode-se afirmar que as Engenharias constituem um pilar na evolução do estudo e tratamento dos Distúrbios Cognitivos e Neurológicos, fornecendo ferramentas tecnológicas que ampliam as capacidades de diagnóstico, otimizam as terapias e abrem novas possibilidades para a reabilitação. O trabalho conjunto entre Engenheiros, Cientistas e Profissionais de Saúde é o que impulsiona o progresso nesse campo.

A Lógica, em particular a Engenharia Lógica, por sua vez, tem se mostrado uma parceira fundamental para a Neurociência e para os estudos da Demência e da preservação da Saúde Mental. A contribuição da Engenharia Lógica não se limita apenas à compreensão dos Distúrbios Neurológicos e dos Distúrbios Cognitivos, mas se estende ao desenvolvimento de métodos e tecnologias para a prevenção e tratamento desses problemas. Enquanto a Neurociência tradicional mapeia o cérebro em níveis moleculares e celulares, a Engenharia Lógica aborda o funcionamento cerebral sob uma perspectiva de processamento analítico e formal.

A Engenharia Lógica, baseada na Lógica Formal, na Álgebra da Lógica e nos Cálculos Lógicos, estuda a mente humana como um sistema de processamento de dados e informações. Seus fundamentos permitem a criação de modelos artificiais de investigação, como as redes neurais e outros sistemas computacionais, que auxiliam o setor biomédico no tratamento e prevenção de disfunções. O objetivo é duplo: entender as disfunções cerebrais e otimizar as capacidades cognitivas, buscando formas de mitigar o declínio mental.

Uma de suas bases é a Lógica Dedutiva, que postula que "alfa premissas levam a beta conclusões". Esse princípio permite à Engenharia Lógica avaliar a consistência do pensamento humano em diversas condições, tanto em estados de normalidade quanto em estágios de perturbação ou degeneração. A Engenharia Lógica (ou Engenharia Inferencial) se utiliza de procedimentos formais para analisar as condições iniciais de Distúrbios Cognitivos ou Neurológicos, propondo soluções de forma mais precisa.

Engenharia Lógica foi concebida para transformar a maneira como se pensa e se resolvem problemas complexos. Ela foca na criação de métodos para a avaliação e correção formal de raciocínios dedutivos, usando a computabilidade dos Cálculos Lógicos para desenvolver modelos que garantam a validade de um raciocínio.

Na prática, a Engenharia Lógica se apropria de técnicas formais para a aquisição de conhecimento, empregando métodos algébricos de gerenciamento de informações. Ela utiliza os Cálculos Algébricos da Lógica Matemática Sentencial e Predicativa, e segue a lógica bivalente e dicotômica, oriunda da filosofia clássica.

Sua aplicação no campo das Neurociências tem se mostrado promissora, especialmente na investigação de quadros demenciais e na evolução das perdas cognitivas. A Engenharia Lógica pode auxiliar na compreensão e, potencialmente, na prevenção das causas de certas demências, desenvolvendo modelos analíticos que se associam aos avanços da Inteligência Artificial. A sua lógica é clara: se “alfa premissas levam a beta conclusões”, o estudo rigoroso do pensamento pode revelar caminhos para o tratamento e aprimoramento da mente.

Mas, a verdade, “gritando muda”, sobre a demência no campo profissional, envolve não poucos temas complexos e, embora esteja fortemente associada às condições “neurodegenerativa”, sua relação com o ambiente de trabalho e a saúde mental é multifacetada.

Como entendido, a demência é uma “síndrome clínica” caracterizada pela deterioração da memória e de outras funções cognitivas (como raciocínio, linguagem, planejamento, dentre outras) em um grau que interfere nas atividades diárias e no trabalho.

Naturalmente, o fator de risco mais significativo para a demência é a idade. A maioria dos casos de demência ocorre em pessoas com mais de 65 anos. Embora não seja comum, a demência de início precoce (antes dos 65 anos) pode ocorrer, e as pessoas em faixas etárias maiores podem estar ativamente inseridas no mercado de trabalho; ainda mais que as populações estão envelhecendo, as leis de aposentadoria se ampliando e mais e mais pessoas idosas querendo se manter ativas no mundo do trabalho.

Em um ambiente de trabalho, os primeiros sinais de demência podem ser sutis e confundidos com estresse ou esgotamento. Dificuldade em tomar decisões, problemas de memória (esquecer reuniões ou prazos), e dificuldades em seguir instruções complexas ou em lidar com mudanças podem ser indicativos. Para um Engenheiro ou Profissional da Indústria, que lida com processos complexos, essas dificuldades podem se manifestar de forma mais perceptível e perigosa.

A saúde mental engloba, necessariamente, o bem-estar psicológico, emocional e social. Problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e estresse crônico, podem ser desencadeados ou agravados por fatores no ambiente de trabalho.

O estresse prolongado e a sobrecarga de trabalho, comuns em setores de alta pressão como a Engenharia e a Indústria, podem afetar a cognição. Isso inclui dificuldade de concentração, memória e tomada de decisões. Embora esses sintomas possam se assemelhar aos da demência, eles geralmente são reversíveis quando a causa do estresse é removida ou tratada.

Todavia, é crucial diferenciar o declínio cognitivo relacionado ao estresse do declínio causado pela demência. Enquanto o estresse crônico pode levar a um tipo de "neblina cerebral" e dificuldades de memória, ele não causa a morte de neurônios como a demência. No entanto, algumas pesquisas sugerem que o estresse crônico pode ser um fator de risco para o desenvolvimento futuro de demência, mas a relação ainda está sendo estudada (e com alguma cautela).

A cultura do "sempre ligado" (“sempre antenado”), longas jornadas e metas agressivas, frequentemente presente na Indústria e na Engenharia, contribui para a fragilidade da saúde mental. A pressão por produtividade e a falta de apoio podem levar a quadros de esgotamento (“Burnout”), depressão e ansiedade, impactando diretamente o desempenho e a qualidade da vida do profissional.

Entretanto, há de se salientar com alarde, “a conscientização é o primeiro passo para criar ambientes de trabalho mais saudáveis e inclusivos”. Assim, as empresas devem oferecer treinamento para identificar os sinais de problemas de saúde mental e o declínio cognitivo. Isso ajuda os gestores e colegas a abordar a situação com empatia e oferecer o apoio adequado quando necessário amenizando os correspondentes malefícios.

Além do mais, para todo Profissional que enfrenta desafios cognitivos continuamente, acomodações adequadas no ambiente de trabalho fazem uma grande diferença. Isso pode incluir horários flexíveis, carga de trabalho reduzida ou a realocação para funções menos exigentes. Acrescente-se que a promoção de um ambiente onde os colaboradores se sintam à vontade para relatar sobre sua saúde mental (ou mesmo sobre as dúvidas que têm sobre a saúde mental) sem medo de estigma é fundamental. Neste sentido, está se fazendo referência a oferecer acesso a serviços de apoio psicológico e programas de bem-estar.

Tanto a demência quanto a fragilidade da saúde mental continuarão a assolar o contexto do trabalho e da vida profissional, principalmente em ambientes onde se vive em constante pressão para se atingir mais e melhores resultados no menor tempo possível; independentemente dos incríveis e complexos avanços tecnológicos e das fantásticas inovações. Mesmo que não haja uma doença neurológica destruindo fisicamente os neurônios, os fatores do ambiente de trabalho podem exacerbar sintomas ou levar a distúrbios os quais, invariavelmente, por sua vez, danificam o desempenho cognitivo e afetam o intelecto. Em profissões de alta exigência, como nas Engenharias ou na Indústria, o cuidado com a saúde mental e a conscientização sobre a possibilidade do declínio cognitivo se tornam ainda mais urgentes.

 

* Carlos Magno Corrêa Dias é professor, pesquisador, conselheiro consultivo do Conselho das Mil Cabeças da CNTU, conselheiro sênior do então Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE) do Sistema Fiep (atual Conselho de Responsabilidade Social do Sistema Fiep), líder/fundador do Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento Tecnológico e Científico em Engenharia e na Indústria (GPDTCEI) do CNPq, líder/fundador do Grupo de Pesquisa em Lógica e Filosofia da Ciência (GPLFC) do CNPq, personalidade empreendedora do Estado do Paraná pela Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep).