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Entre 24 e 26 de novembro, a FNE direcionará os holofotes para uma questão fundamental: o protagonismo da categoria no enfrentamento da grave crise atual e apresentação de propostas que recoloquem o País nos trilhos do crescimento e desenvolvimento. Na data, realizará no Hotel Estância Barra Bonita, nessa cidade no interior de São Paulo, o encontro “Engenharia Unida – Mobilização pela retomada do crescimento e valorização dos profissionais”. Durante os três dias, será fortalecido o chamado à coesão da categoria para fazer frente aos desafios encontrados hoje.

 

Essa é a proposta do movimento “Engenharia Unida” (confira em https://goo.gl/xiH5po). Lançado em março último pela FNE e constante do programa de trabalho da gestão 2016-2019 – cujo presidente é Murilo Pinheiro –, tem a pretensão de unir as instituições vinculadas à área no Brasil inteiro. Ou seja, conselhos profissionais, entes e órgãos públicos, sindicatos, associações, centros de pesquisa e ensino, empresas, além dos profissionais em todos os segmentos de atuação. Para tanto, o entendimento é que é necessário fortalecer sua representatividade. A federação tem feito esse chamado em todos os espaços que abrigam esse conjunto, destacando a importância de que os engenheiros se façam presentes e sejam ouvidos no debate público e nas questões prioritárias à sociedade brasileira.

Protagonismo

Para João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical da FNE, a “Engenharia Unida”, em sua abrangência, visa “suscitar um movimento unânime e harmônico, com projetos factíveis, capaz de recuperar o merecido prestígio da profissão e compor, juntamente com o conjunto produtivista da economia e os demais trabalhadores, um eixo de superação da crise”.

Diante do alto índice de desemprego – são 12 milhões de pessoas nessa situação – e ameaças de retrocessos em direitos duramente conquistados ao longo da história, tal movimento é urgente. Ao refletir essa pauta, o encontro no interior de São Paulo, na concepção de Vargas Netto, “é provavelmente o mais importante evento do ano”. Assim, enfatiza: “Todo esforço está sendo feito para que a atividade em Barra Bonita seja compatível com a responsabilidade da ‘Engenharia Unida’.”

Caberá a Vargas Netto apresentar ao início do evento análise da conjuntura atual. Entre os palestrantes, estão convidados autoridades e especialistas, que discorrerão sobre os temas “Engenharia e desenvolvimento nacional: o protagonismo no enfrentamento da crise”, “Colocar a economia no rumo do crescimento” e “Preservar direitos e valorizar o trabalho”. Esse último painel contará com apresentação do diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto de Queiroz (Toninho), que tem alertado sobre a premência de mobilização para impedir retrocessos como os previstos com as propostas de reformas trabalhista e previdenciária, bem como a Proposta de Emenda à Constituição 55 (PEC 241 da Câmara, conhecida como PEC do teto dos gastos públicos). Assunto em voga, agora em tramitação no Senado, tal prevê regra que limitará pelos próximos 20 anos os recursos a serem destinados a áreas essenciais, como educação e saúde. O governo federal justifica a medida de congelar gastos e investimentos como a única forma de ajustar as contas públicas no Brasil. A solução não é bem vista pelas entidades representativas da sociedade, já que, como alerta Murilo Pinheiro, afetará diretamente o bem-estar da população. Ele ressalta que “a necessidade de encontrar uma equação adequada à difícil situação que vivemos no País será debatida em Barra Bonita”.

Conforme o manifesto “Engenharia Unida em defesa dos profissionais e do desenvolvimento do País” (confira em https://goo.gl/SiaXQi), lançado em 1º de junho último, a saída defendida não passa por reduzir, mas ampliar inversões. “É preciso que haja grandes investimentos na infraestrutura para impulsionar a engenharia e o desenvolvimento do País. Para garantir essa agenda positiva, é urgente a mudança de rumos na administração da macroeconomia de modo a favorecer a produção e a geração de empregos”, aponta o documento. No texto, ainda, propugna-se pela “implantação de uma política industrial, com ganhos de produtividade, um desafio a ser vencido no Brasil, e avanços em ciência, tecnologia e inovação”. Propostas que “integram um movimento constante de valorização dos engenheiros brasileiros como protagonistas do desenvolvimento. É essencial que um programa de retomada da economia nacional tenha como eixo prioritário as condições necessárias para que os profissionais possam dar sua contribuição, entre as quais, remuneração justa, com respeito ao piso da categoria; aprimoramento da lei de licitações, utilizando técnica e preço para projetos e obras de engenharia; valorização da engenharia na gestão pública, especialmente por meio da urgente implementação da carreira de Estado nos municípios, estados e na União”. Temas que deverão estar em discussão em Barra Bonita. Murilo Pinheiro conclui: “É hora de unir esforços e agir.” Ao final do encontro, haverá plenária da “Engenharia Unida”, que deve aprovar as contribuições da categoria nessa direção.

No ano de 2006, também em meio a uma conjuntura difícil, a federação apresentou o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”. Atualizado ano a ano, traz plataforma que se combina com esse objetivo e demanda, na batalha pelo desenvolvimento nacional sustentável. O êxito dessa iniciativa – que em 2016 debruçou-se sobre o tema “Cidades” (confira em www.crescebrasil.org.br) – demonstra o acerto e a urgência de se assegurar a união da categoria para se fazer frente ao complexo quadro atual.