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Todos os brasileiros devem estar se perguntando: o que esperar do ano de 2017? Com o novo governo de Michel Temer, um novo modelo de administração está sendo implantado e haverá mudanças em vários setores. Depois de um ano conturbado na economia e na política, com o impeachment presidencial, os trabalhadores vivem uma grande incerteza quanto aos seus empregos, salários e direitos no futuro.

O Governo Temer já anunciou que mudará as regras da Previdência e leis trabalhistas, além de priorizar o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) em aeroportos, portos, ferrovias, rodovias, áreas de exploração de petróleo e distribuidoras de energia. Analisamos com muita preocupação os primeiros passos do atual governo, que diminui a atuação do Estado, entrega a empresários setores essenciais à população e vai alterar leis que garantem direitos históricos aos trabalhadores.

Não podemos afirmar que 2017 será um ano de crescimento, mas certamente será um ano de lutas, sobretudo para manutenção dos direitos dos trabalhadores. As reformas previstas pelo governo federal devem retirar direitos sociais, e os profissionais precisam se unir e fortalecer seus sindicatos, visto que serão essenciais nas manifestações contra essas propostas.

A privatização de empresas públicas do setor elétrico, por exemplo, atingirá centenas de profissionais, inclusive engenheiros. Os destinos da Petrobras, além da correta utilização e distribuição dos recursos obtidos com a exploração do pré-sal, também preocupam os brasileiros. Essas são apenas algumas vertentes que provocaram a FNE a lançar o movimento “Engenharia Unida”, com o objetivo de aglutinar todas as entidades representativas num movimento nacional para discussão de projetos que levem o País a superar a situação adversa atual.

A meta é impulsionar a economia e melhorar a oferta de emprego. Assim como fez quando apresentou uma minuta do que viria a ser o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a FNE não medirá esforços para idealizar um novo plano de crescimento e desenvolver diversos setores da economia nacional. Por outro lado, esperamos que o combate à corrupção seja permanente, devolvendo recursos aos cofres públicos que deixaram de ser investidos em infraestrutura. Devemos estar atentos às propostas de privatização do saneamento básico, através de parcerias público-privadas, que ameaçam o interesse social de prestação de serviço nesse importante setor público e podem provocar um colapso em diversas cidades brasileiras.

Será um ano difícil para os trabalhadores, e a união ao sindicato será fundamental ante as propostas que surgirão contra direitos adquiridos. Cabe ainda a todas as entidades adotar medidas para conscientizar os profissionais e convencê-los a fortalecer o movimento sindical.

Antonio Florentino de Souza Filho é diretor da FNE e presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Piauí (Senge-PI)