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O chuveiro NC Automático 12 Volts, movido a gás, a princípio não chama a atenção, mas sua grande vantagem está na economia significativa de energia. Na comparação a um convencional, o gasto em energia elétrica é 1.000% menor, já que só precisa de 12 volts para ligar e em gás consome um quarto do que um convencional. Ideal para instalação em locais remotos, o produto surgiu em 2005 da necessidade dos seus inventores, o casal Mauro Serra e Jorgea Marangon, ela engenheira mecânica, que moravam em área rural na região litorânea do Rio de Janeiro.

O chuveiro que em 2009 recebeu o Prêmio Brasil de Meio Ambiente, do Jornal do Brasil, Petrobras e Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), vem se consolidando como opção viável econômica e ambientalmente. “Algumas empresas nos procuraram para soluções nas obras. Então, foram anos de desenvolvimento do produto para esse uso, obedecendo a normas de segurança no trabalho, até chegarmos a um chuveiro extremamente econômico. Um funcionário, ao utilizá-lo durante seis minutos, vai gastar R$ 0,06, enquanto no elétrico gastaria R$ 0,37 e com aquecedor convencional, R$ 0,33”, detalha Serra.

Outra vantagem é o consumo reduzido também de água. Enquanto um chuveiro com aquecedor convencional dá vazão a 8 litros por minuto, o NR chega a no máximo 2,3 litros por minuto.

Pequeno e pesando três quilos, o equipamento é de fácil instalação e funciona por gravidade, sem necessidade de água pressurizada nem altura preestabelecida para a caixa de água, e alimentação simples com um botijão de gás de cozinha (GLP). Possui um sistema de resfriamento interno que impossibilita que os gases queimados em suspensão sejam liberados, não gerando emissão de gás carbônico na atmosfera. O baixo consumo de gás e oxigênio dispensa o uso de chaminé.

Depois de enfrentar algumas dificuldades, como a falta de linhas de crédito disponíveis, já que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) considerou o projeto pequeno demais para financiá-lo, e investir patrimônio pessoal equivalente a R$ 400 mil, Serra e Marangon já estão comercializando o produto, que chegou ao mercado por R$ 1.100, mais o custo do frete. “O investimento é amortizado em quatro ou cinco meses. Em residências, o tempo é de dez meses em média”, afirma Serra. Eles receberam apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) para compra de equipamentos.

Galeria Multidimensional Rodoviária

Também foi a necessidade, aquela que é a mãe de todas as invenções, que propiciou ao engenheiro civil Maurício Santiago criar a Galeria Multidimensional Rodoviária de Concreto Pré-fabricado, em 1986, quando a Prefeitura de Niterói o chamou às pressas para solucionar um problema recorrente de enchente no bairro de Piratininga.

“Percebemos o problema de escoamento das águas. Aquilo se tornou um desafio para mim, era pura engenharia de precisão, com questões de declividade e estanqueidade. Fui buscar na mecânica dos fluídos, do solo, um mecanismo que pudesse subir com as galerias e se tornar uma pavimentação. Projetamos uma galeria com tampa rodoviária, com fundo curvo e parede inclinada. Devido a essa geometria (triangular) que, segundo o diagrama de velocidade da mecânica dos fluidos, é detentora do diagrama de tensão trativa, ela se torna autolimpante por agregar maior força no escoamento”, explica Santiago.

A solução, indicada para a drenagem de águas pluviais, canalização de rios e esgotamento sanitário, permite um escoamento mais rápido e, por isso, impede a acumulação de resíduos. A instalação é feita por módulos, em que inicialmente o fundo curvo em “v” é colocado e depois as paredes são lançadas, travadas ao fundo em pino. Depois são feitos: o grauteamento (para unificação das peças) e reaterro das cavas até o nível limite das paredes e, na sequência, a colocação das respectivas tampas.

Outros pontos que a diferenciam são menor movimentação de terra, reduzindo custo da obra, e aplicação próxima à superfície, dispensando enterramento em valas profundas. Com isso, o dispositivo pode ser vedado e sua tampa é usada como pavimento para o tráfego. “A galeria é um elemento integrado à rodovia, projetada para ser a pavimentação”, completa.

Apesar de ter resolvido o problema em Niterói, e da invenção já ter sido reconhecida pelo Tratado de Cooperação de Patentes (PCT, em português, Sistema Internacional de Patentes) como uma “inovação de uso industrial”, a ideia ainda não conseguiu espaço nas cidades brasileiras. “Infelizmente essa questão de corrupção jogou a engenharia no chão e diversos projetos estão parados. E também não tenho condição de levar isso para o mercado, por falta de recursos”, lamenta Santiago. Ele conta que conseguiu liberação de R$ 300 milhões via BNDES como incentivo da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), mas não pode acessar os recursos por falta de garantias.

Para a engenheira civil Célia Sapucahy, a falta de estímulo é comum a projetos como o de Santiago ou do casal Serra e Marangon. “Hoje consegue-se mais facilmente apoio para empresas e projetos que utilizam tecnologia eletrônica. Há muita dificuldade para financiamento de projetos mais simples que se baseiam em materiais tradicionais, tais como cimento e areia, mas que podem levar a produtos mais baratos e eficazes e contribuir efetivamente com a engenharia brasileira”, afirma.

Serviço

Interessados no chuveiro portátil NC Automático 12 Volts podem obter mais informações no site http://www.chuveirosnc.com.br.

Sobre a Galeria Multidimensional Rodoviária, entrar em contato com Maurício pelo  21 967351471