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Retomar o crescimento econômico, valorizar a engenharia e seus profissionais garantindo o protagonismo que devem ter nos destinos da nossa nação. Com essa agenda em mente, entre outubro e dezembro de 2017, percorri o País de Norte a Sul, levando propostas para a gestão do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). O processo eleitoral, lamentavelmente, é alvo de denúncias de desrespeito às regras democráticas e está a cargo da Justiça.

A despeito dessa circunstância, durante a campanha, tive a oportunidade valiosa de observar a situação em cada região, ouvir os profissionais da área tecnológica, conhecer seus anseios, dificuldades e ideias. Essa foi uma experiência incrivelmente rica e gratificante, que só reforçou a convicção da necessidade de avançar com o movimento Engenharia Unida. O Brasil possui mais de 1 milhão de profissionais da área tecnológica, de nível médio e superior, que precisam estar no centro de um projeto nacional de desenvolvimento.

Para que isso seja possível, é essencial que esses quadros técnicos tenham asseguradas condições adequadas de vida e trabalho. Portanto, seguem como pautas prioritárias a reivindicação de remuneração justa; planos de carreira que tragam o reconhecimento devido à experiência, dedicação e competência; acesso à permanente atualização; e autonomia para exercer as atividades em conformidade com sua formação e seu saber. É imprescindível equacionar essas questões para que a sociedade possa contar com o melhor que esse contingente extremamente qualificado tem a oferecer.

Continua também atual e urgente a atuação para frear o desmonte da engenharia nacional e resgatar o que se perdeu, principalmente nos últimos dois anos. Não haverá saída da crise e avanço real sem que haja ciência, tecnologia e inovação no Brasil. E, para isso, é preciso que tenhamos empresas fortes e atuantes, desenvolvendo projetos e fazendo obras no País, com nossa expertise que é inquestionável e empregando nossos profissionais. Ainda, necessitamos de um sistema de C, T & I que nos coloque em posição compatível com nosso potencial como grande nação e uma das maiores economias do mundo. Há que resgatar universidades e institutos de pesquisa que hoje seguem à deriva.

Os desafios, portanto, estão colocados. A boa notícia é que a jornada da Engenharia Unida vem tornando evidente que essa pauta tem a adesão de milhares e milhares de lideranças e profissionais da área tecnológica em todo o Brasil. Sabe-se que rumo seguir e há determinação para fazê-lo.

Devemos, portanto, neste início de 2018, nos realinhar na trincheira dessa batalha coletiva em defesa da engenharia e do País. Só unidos conseguiremos persuadir o conjunto da sociedade, os governos, o Congresso, as diversas instituições públicas do acerto das nossas ideias e contribuir efetivamente para transformar o Brasil.

Será tarefa de monta cumprir essa travessia rumo ao País que queremos, mas, ao vislumbrar nosso objetivo com clareza, já contamos com vantagem valiosa. Por essa fundamental certeza do que é preciso fazer e a renovada disposição de seguir na luta, agradeço sinceramente aos companheiros de jornada pelo Brasil, às lideranças que se somaram à nossa causa e continuarão a dar sua contribuição imprescindível e a todos os profissionais que tiveram a generosidade de travar esse diálogo fundamental e apontar o caminho a seguir.

Seguimos juntos!

Murilo Pinheiro é presidente da FNE

Resistir e fortalecer representação sindical