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“Temos que nos dar as mãos e refletir de que forma podemos interceder positivamente por um País mais justo e melhor, com mais oportunidades.” O chamado foi feito pelo presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU), Murilo Pinheiro, à abertura da 13ª Jornada Brasil 2022 – O País que queremos, realizada pela entidade em 30 de novembro último, na sede do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp), na capital paulista.

Sob o tema “Democracia, abre as asas sobre nós: desafios e caminhos”, o encontro focou, além da unidade do movimento sindical pela preservação de direitos, questões prementes à construção do Brasil almejado, tendo com norte a comemoração do bicentenário da Independência em 2022.

No mesmo dia, realizou-se pleito para a gestão 2019-2022 da CNTU. Murilo – que está ainda à frente da FNE – foi reconduzido ao cargo (confira relação da diretoria em https://goo.gl/BtYPSK).  Também reeleito, o diretor de Articulação Nacional da confederação, Allen Habert, deu o tom do encontro: “Precisamos nesses momentos de dificuldade valorizar o dirigente sindical, o conselheiro consultivo, porque é assim que vamos atravessar esse deserto, que vamos discutir desafios e caminhos para assegurar a democracia, bandeira desse evento.” Compuseram ainda a mesa de abertura os representantes das federações e sindicatos filiados à confederação, entre os quais o diretor da FNE Gerson Tertuliano.

Garantir o bem viver

Em seminário, a fundamental garantia de soberania nacional foi o tema da economista e pesquisadora Ceci Juruá. Segundo ela, o Brasil precisa não só assegurar sua capacidade de decidir o próprio destino, mas também de fazer cumprir a vontade do povo.

Juruá lembrou ainda que a democracia no Brasil já foi alvo de inúmeros golpes, que sempre encontraram a devida luta pelo retorno à normalidade institucional. “Já passamos por muitas esquinas perigosas e estamos aqui celebrando a democracia, a liberdade e testemunhando o valor dos direitos humanos. É não entender a história achar que sejam um estorvo”, atestou o ex-ministro da Justiça e presidente da Comissão de Justiça e Paz, José Gregori.

Para o poeta, curador e consultor cultural Hamilton Faria, há hoje reação voltada a reprimir a manifestação “da criatividade que se expandiu”. A resistência a esse movimento, advogou, deve se dar de forma propositiva, contextualizada, por meio da cultura de paz. Entre os retrocessos, ele citou o projeto “Escola sem partido” (PL 867/2015), em debate no Congresso Nacional, cujo objetivo seria “evitar o pensamento crítico”.

Presidente da Frente Nacional pela Volta das Ferrovias (FerroFrente), José Manoel Ferreira Gonçalves defendeu, por sua vez, a necessidade de vencer os gargalos em infraestrutura como forma de combater a desigualdade. E frisou: “Ferrovia é um instrumento de democracia, se estiver a serviço do interesse público.” Ele pontuou ainda a necessidade de se ampliarem os investimentos em inovação – cujos patamares atuais estão abaixo de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) – e pensá-la de forma inclusiva.

Já o presidente do Conselho Nacional de Saúde e da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), Ronald Ferreira dos Santos, convocou todos a se engajarem na defesa do Sistema Único de Saúde (SUS). E Laurindo Lalo Leal Filho, professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e diretor do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, chamou a atenção para um aspecto fundamental a qualquer esforço de fortalecimento da liberdade e garantia de direitos: a necessidade de democratização da comunicação.

Conselho Consultivo e premiação

Como parte da 13ª jornada, ocorreu ainda a 14ª Plenária do Conselho Consultivo da entidade. No ensejo foram empossados 80 novos membros. Agora, somam-se 1.458. Ao final, foi aprovada por aclamação a Carta da 13ª Jornada,  lida por Thereza Neumann, diretora da FNE (confira em https://goo.gl/8y3JDq).

Na oportunidade, o professor associado da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e conselheiro consultivo, Paulo Feldmann, defendeu como bandeiras a taxação do lucro de instituições financeiras e política industrial voltada ao desenvolvimento nacional. Também conselheiro, o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Paulo Cruvinel, enfatizou a premência de se construírem estratégias que levem “ao futuro desejado”. Allen Habert, que coordenou a plenária, lembrou que a Embrapa foi criada em 1967, reúne 10 mil funcionários e 2 mil pesquisadores. “É a Nasa da agricultura brasileira e sob risco agora de ser privatizada. Vamos ter que ficar atentos no sentido de não permitirmos esse atentado a nossa soberania e segurança alimentar”, frisou.

Além deles, os conselheiros Valéria Sanchez e Rodolfo Lucena compuseram a mesa, ao lado dos empossados à plenária Roberto Saturnino Braga, engenheiro especialista em economia e presidente do Centro Internacional Celso Furtado; Rita Helena, nutricionista; Élcio Kazuaki Niwa, delegado do Seesp junto à CPTM; e o cartunista Paulo Caruso, que brindou os presentes com composições de sua autoria, ao piano.

Ao encerramento, foi entregue o prêmio Personalidade Profissional da CNTU. Em sua 8ª edição, foram agraciados Vicente de Paula Oliveira (em Economia), Liedi Legi Bariani Bernucci (Engenharia), Sílvia Storpirtis (Farmácia), Glauce Gravena (Nutrição), Welington Moreira Mello (Odontologia) e Ceci Juruá (Interesse público). Primeira mulher a assumir a direção da Escola Politécnica da USP em 124 anos, Bernucci salientou a contribuição que os engenheiros podem dar neste momento difícil, afirmando, não obstante, sua esperança na juventude e, assim, no futuro.

Colaboraram Deborah Moreira  e Rita Casaro