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Com o fim da obrigatoriedade do pagamento da contribuição sindical, as reformas trabalhistas e as eleições realizadas em 2018, necessário se faz uma análise racional dos novos rumos e tendências do País.

A democracia tem por princípio fundamental o respeito ao resultado das urnas e a manutenção da segurança jurídica, visando a igualdade de direitos.

Ao longo da década e meia em que o País esteve sob o comando do Partido dos Trabalhadores, foram muitos os avanços, especialmente na área social e nas políticas de proteção às minorias. Contudo, não houve quem avaliasse o dosador para que o remédio não se transformasse em veneno.

A soberba e a impunidade cegaram nossas autoridades. A corrupção grassou endêmica por todos os poderes, a imprensa tendenciosa descumpria o seu nobre papel. Enquanto isso, o povo gritava nas ruas e nas redes sociais, sem ser ouvido. A resposta veio nas urnas.

Mas nem tudo está perdido. A engenharia é desafiada, mais uma vez, a cumprir o seu importante papel na construção deste país, demonstrando que aprendemos com os erros e olhamos sempre para a frente.

Jamais deixaremos de lutar em favor de um país, de uma nação, da pluralidade de pensamentos, do bem-estar das pessoas e do meio ambiente.

Um novo governo assumirá os destinos do Brasil a partir de janeiro. Suas promessas de campanha tiveram um forte componente de combate à corrupção. Caso implementadas de fato, vemos nisso uma grande oportunidade de provarmos que as obras e demais serviços de engenharia têm uma grande contribuição no desenvolvimento do País, na melhoria da qualidade de vida e no suprimento das necessidades básicas da população, tais como saneamento, habitação, transporte e alimentos.

Se a corrupção protagonizada por grandes empreiteiras e políticos, amplamente divulgada pelos canais de comunicação, manchou a imagem da engenharia e dos engenheiros perante a população, este é o momento de demonstrarmos que uma ínfima minoria de maus profissionais participaram desse lamentável conluio em desfavor do Brasil.

A grande renovação do Congresso Nacional deverá se constituir em uma nova porta que se abre, na busca do diálogo e das soluções. A nossa causa é o Brasil e este, a partir de janeiro, deve ser olhado com os olhos voltados para uma mudança de paradigma.

O princípio da dignidade da engenharia e dos engenheiros precisa estabelecer um controle da atividade estatal em face dos indivíduos, impossibilitando, assim, a continuidade da corrupção e a redução do homem à condição de simples objeto.

Para o movimento sindical que representa esses profissionais, será mister superar as dificuldades e manter-se atuante em defesa dos direitos dos engenheiros. Imprescindível ainda buscar apoiar aqueles que, em meio à crise, se veem hoje desempregados e sem oportunidade de atuação.  

A luta continua. Mas é pra frente que se caminha!

Jean Saliba é presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de Mato Grosso do Sul (Senge-MS)