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A FNE reuniu especialistas em 4 de agosto último, na capital paulista, no seminário “Inovação, segurança alimentar e logística”.

O evento teve o apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU), do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec) e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. À abertura, o titular dessa pasta, Arnaldo Jardim, salientou como a agricultura se tornou fundamental ao País: “Sem ela, não conseguiríamos sobreviver a quase quatro anos de recessão econômica.” Corroborando a avaliação quanto à performance do agronegócio brasileiro, o coordenador do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, Fernando Palmezan Neto, observou que a expertise do setor deveria ser usada em outras atividades.

O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e presidente da Associação Brasileira de Engenharia Agrícola (Sbea), Paulo Estevão Cruvinel, à mesa inicial “Produção e cadeia de valor”, disse que ao País se apresenta uma grande tarefa: ajudar a alimentar o mundo. Ele explicou: “Temos uma expansão da demanda mundial por alimentos impulsionada pelo crescimento populacional e pela inserção de novos consumidores à economia de mercado.” Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), já em 2023 preveem-se 8 bilhões de habitantes no mundo. “A maior parte desse aumento é esperada na África Subsaariana e na Ásia, áreas de baixa renda e de baixos níveis de produtividade agrícola”, disse.
Nesse cenário, prosseguiu, o Brasil desponta com a melhor área disponível à agricultura, com mais de 400 milhões de hectares (ha) – “hoje a agropecuária nacional ocupa pouco mais de 50 milhões de ha”. Todavia, a intensa produção agrícola que se espera para os próximos anos deverá equilibrar a utilização de recursos naturais finitos, observou Cruvinel. O exemplo nacional é pródigo nesse sentido, defendeu: “A nossa agricultura é baseada em ciência, conhecimento e informação.” E a sustentabilidade se mostra, apontou ele, no uso intensivo de matriz energética limpa.
Ainda sobre o mesmo tema, Luiz Antonio Pinazza, consultor técnico da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), enfatizou o papel da pesquisa e da ciência nos avanços da agricultura nacional, o que fez mudar e melhorar o conceito de segurança alimentar, passando da mera quantidade – produzir mais arroz, trigo e milho, por exemplo – para a questão nutricional, onde o foco é o bem-estar, a saúde e a qualidade de vida. “Em tudo isso precisamos de muito conhecimento, tecnologia e inovação.”
Assim como Cruvinel, ele não tem dúvida de que o País será a segurança alimentar do mundo. “O Brasil começa a ter protagonismo no cenário agrícola internacional.”

Logística deficitária
Ao mesmo tempo em que surpreende o mundo com a produção de mais de 230 milhões de toneladas de grãos, o País enfrenta problemas de logística, como escassez de locais para armazenamento e deficiência no escoamento das safras. O tema esteve em tela na última mesa do seminário. Thiago Guilherme Péra, coordenador do grupo de pesquisas e extensão agroindustrial de logística da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), foi taxativo: “Não existe agronegócio sem logística.” Ele lamentou que as rodovias ainda são as mais utilizadas na movimentação de cargas dentro do extenso território nacional e a subutilização dos modais ferroviário e hidroviário. Péra disse que o custo da exportação de soja para a China é de US$ 92,12 por tonelada e desse montante, US$ 75,49 são gastos no transporte, por estrada, de Mato Grosso ao Porto de Santos, em São Paulo. “Precisamos diversificar mais a nossa matriz de transporte para que o País ganhe em competitividade”, defendeu, salientando que grandes países em extensão territorial como China, Estados Unidos e Canadá utilizam o sistema ferroviário como principal meio de escoamento dos seus produtos.

A perda de competitividade também se dá com a inadequada capacidade de estocagem, hoje entre 70% e 80% em média, sendo que o ideal, disse ele, é ter 120%, para o agricultor trabalhar com o produto em épocas de não safra. De 2007 a 2015, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a nossa capacidade de estocagem cresceu 4,41%, e a produção de grãos, 5,81%.
Para Luís Fernando Ceribelli Madi, diretor técnico de Departamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), apesar dos desafios, há grandes oportunidades no setor. “É uma área que movimenta 1,7 milhão de empregos no País. Somos o segundo exportador mundial de alimentos processados em volume e detemos 45% da participação no mercado global de açúcar.”
Colaborou Jéssica Silva

Recursos hídricos e agricultura sustentável em debate
A FNE levou para a programação da 74ª Semana Oficial da Engenharia e Agronomia (Soea), realizada em Belém, entre 8 e 11 de agosto, o debate técnico sobre recursos hídricos e agricultura sustentável. A mesa-redonda promovida pela federação aconteceu no dia 10 e contou com a participação de Edson Eiji Matsura, professor titular da Faculdade de Engenharia Agrícola da Universidade Estadual de Campinas (Feagri/Unicamp), e Rui Machado, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A condução dos trabalhos ficou por conta do vice-presidente da FNE, atual presidente em exercício, Carlos Bastos Abraham, que destacou a relevância do tema para a economia brasileira. “A queda na economia poderia ser da ordem de 10% ao ano, se não fosse pelo agronegócio”, apontou.
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