O Dia Internacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças Relacionadas ao Trabalho, celebrado nesta terça-feira (28/4), é um alerta para a necessidade urgente de se assegurarem condições laborais adequadas e a valorização de quem constrói a riqueza e o desenvolvimento.
No Brasil, todos os dias, milhões de trabalhadores exercem suas atividades expostos a riscos que poderiam e deveriam ser prevenidos. Essa realidade, que não pode ser naturalizada, é comprovada por números alarmantes que mostram o aumento da ocorrência de acidentes desde 2021. De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o crescimento foi de 12,63% entre 2021 e 2022; 11,91% de 2022 para 2023; e 11,16% de 2023 para 2024. No comparativo entre os primeiros semestres de 2024 e 2025, o salto foi menor, de 8,98%.
Ainda segundo o MTE, apenas no primeiro semestre do ano passado foram registrados 380 mil acidentes de trabalho, que resultaram na morte de 1.600 pessoas. Confirmando o cenário assustador, números da Previdência Social divulgados pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo (Fundacentro) apontam 7,6 milhões de acidentes notificados entre 2013 e 2024, com mais de 31 mil mortes.
Diante disso, o Dia Internacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças Relacionadas ao Trabalho, celebrado nesta terça-feira (28/4), deve ser um chamado não apenas à lembrança, mas sobretudo à ação. A data cumpre o papel essencial de dar visibilidade a essa realidade que insiste em se impor de forma trágica. É urgente garantir condições dignas e seguras a quem constrói a riqueza e o desenvolvimento do País.
Foi exatamente esse o mote do “Ato e canto pela vida”, realizado no domingo (26/4), na Praça Vladimir Herzog, em São Paulo, contando com o apoio de dezenas de entidades, inclusive o Seesp, filiado à FNE. No manifesto elaborado coletivamente, defende-se, para mudar esse quadro, a construção de um sistema efetivo de saúde e segurança no trabalho. Esse deve ter participação social, integração entre políticas governamentais, fortalecimento da fiscalização, valorização do serviço público, garantia de direitos previdenciários, redução da jornada de trabalho e ampliação da transparência. Além disso, é preciso fortalecer as Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e de Assédio (Cipas) e os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerests).
Nesse contexto, a Engenharia de Segurança do Trabalho assume papel estratégico. Mais do que um campo técnico, trata-se de uma área essencial à proteção da vida, que atua na identificação de riscos, na proposição de soluções e na construção de ambientes laborais mais seguros e saudáveis. Valorizar esses profissionais e assegurar sua atuação qualificada é condição indispensável para avançar na prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.
Importante compreender que a redução efetiva desses índices inaceitáveis passa sobretudo pelo compromisso real com a cultura de prevenção. Não se trata apenas de cumprir normas, mas de reconhecer que cada vida importa e que nenhuma atividade econômica pode se sobrepor ao direito fundamental à integridade física e mental.
Progresso não se mede apenas por indicadores econômicos, mas pela capacidade de garantir bem-estar e dignidade a todos. Essa deve ser a tônica fundamental de um projeto nacional de desenvolvimento sustentável.
Como conclama o manifesto do “Ato e canto pela vida”: basta de sofrimento e morte; viva a vida!