Um estudo recentemente concluído pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), revela que o Brasil conta com 2.640 empresas incubadas em 384 incubadoras. O documento "Estudo, Análise e Proposições sobre as Incubadoras de Empresas no Brasil", que deverá ser lançado no final de maio, mostra que o faturamento anual dessas empresas incubadas soma R$ 533 milhões e que os postos de trabalho gerados nas firmas incubadas totalizam 16.394 empregos. Estudo mostra que 98% das empresas incubadas no Brasil inovam; 15% delas para o mercado mundial.
É significativamente alto o total de empresas incubadas que inovam, em produtos ou serviços, em comparação com as demais empresas do País, de acordo com o levantamento coordenado pela professora Maria Alice Lahorgue, do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O estudo comprovou que um dos requisitos principais para a incubação de uma empresa é a atividade inovadora, já que 98% das firmas incubadas no Brasil inovam. Desse universo, 28% inovam para o mercado local, 55% declararam inovar em âmbito nacional e 15% disseram produzir inovações em âmbito mundial.
A última edição da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que apenas 38,6% das empresas brasileiras introduziram novos produtos e processos no mercado entre 2006 e 2008. O IBGE considerou em seu levantamento, divulgado em 2010, um total de 106,8 mil empresas com dez ou mais funcionários na indústria, em alguns setores de serviços (telecomunicações, informática e edição e gravação de música) e nas empresas que realizam exclusivamente atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D).
Proposições de políticas
O objetivo do estudo, resultado de um convênio de cooperação técnica entre a Anprotec e o MCTI, é traçar um panorama das incubadoras do Brasil, compreender sua evolução e obter elementos para a proposição de políticas públicas de fomento do setor. Para isso foram revisados estudos anteriores, aplicados questionários e realizadas entrevistas com gestores em 2011. Atualmente, o documento está em fase de revisão final para publicação. Pouco mais da metade das firmas incubadas atua no setor de prestação de serviços Das 2.640 empresas incubadas do Brasil, 58% têm foco no desenvolvimento de novos produtos ou processos resultantes de pesquisa científica e 38% atuam na inserção de arranjos produtivos locais (APLs) de alta tecnologia. Pouco mais da metade (52%) dessas firmas atua na prestação de serviços, enquanto 43% delas estão na área industrial e 5% na agroindústria.
Prazos de incubação
As empresas que se reúnem em incubadoras para compartilhar infraestrutura, serviços e apoio gerencial e técnico, além de dividir custos de operação, normalmente são oriundas de ações de empreendedorismo que visam à transferência de resultados de pesquisa para atividades produtivas. Segundo a Anprotec, em geral, elas podem permanecer na incubadora durante um período inicial de seis meses — etapa considerada como pré-incubação — e depois mais três anos na incubação efetiva. Quando ela já percorreu todas as fases de uma empresa incubada, ou residente, estando apta a enfrentar o mercado com uma instalação física própria, ela é considerada uma empresa graduada. Nesta etapa, a companhia pode continuar mais um ano no programa de pós-incubação para usufruir dos serviços da incubadora, sem, no entanto, permanecer instalada no seu prédio. Empresas graduadas geram 29.905 empregos e possuem um faturamento anual de R$ 4,1 bilhões Segundo a Anprotec, o Brasil possui 2.509 empresas graduadas e 1.124 empresas associadas (residentes ou não no espaço físico da incubadora, mas que usufruem da mesma infraestrutura e serviços). Dados do estudo mostram que as incubadas e associadas geram 16.394 postos de trabalho, enquanto as graduadas geram 29.205 empregos e possuem um faturamento anual de R$ 4,1 bilhões.
Benchmarking
Para obter modelos interessantes para o aprimoramento do sistema brasileiro, o estudo também realizou uma pesquisa comparativa com dez países: Alemanha, Argentina, Bélgica, Coreia do Sul, Espanha, França, Israel, Itália, Portugal e Reino Unido. Em oito países, a principal fonte de receita é proveniente de recursos públicos, sendo que apenas na Alemanha e no Reino Unido as incubadoras se mantêm por meio de receita própria. Na capacidade de geração de emprego, o Reino Unido aparece em primeiro lugar, com uma média de 413,14 empregos por incubadora, seguido pela Alemanha, com média de 231,25 empregos. No Brasil, somando as vagas de empresas incubadas e graduadas, há 45.599 postos de trabalho vinculados ao setor, o que representa uma média de 118,75 empregos por incubadora. A média brasileira é próxima a de países como a Bélgica (122,71 empregos) e superior a de países como Itália (104,83), Coreia do Sul (67,08) e Portugal (38,00). "Às vezes, reclamamos que no Brasil as empresas incubadas são pequenas. Mas, quando analisamos a situação de outros países, podemos ver que essa é a realidade do mundo inteiro", explicou Maria Alice Lahorgue em entrevista publicada na edição de abril da revista Locus, produzida pela Anprotec. Procurada pela reportagem de Inovação Unicamp, a coordenadora do estudo não quis se manifestar em razão de o documento ainda não ter sido publicado na íntegra.
Guiilherme Gorgulho, Inovação Unicamp