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"Quando se fala em mobilidade urbana, devemos levar em consideração o todo e não só veículos. Estamos falando de veículos, pedestres, ciclistas e pessoas com mobilidade reduzida. Os projetos atuais contemplam apenas alguns modais de transportes e precisamos corrigir as distorções enquanto há tempo. Como cidadãos, temos que ter consciência do legado que a Copa do Mundo deixará para Cuiabá e nos comportar constantemente como fiscais, para cobrar as autoridades de Cuiabá e do Estado, com o objetivo de colaborar para que as obras sejam acessíveis a todos".

Com este alerta, o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso (Crea-MT), Juares Samaniego, abriu o seminário "Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento para a Copa do Mundo de 2014” . que reuniu no dia 28 de Junho, em Cuiabá , engenheiros, representantes da Secretaria de Estadual para Assuntos da Copa (Secopa) e do Ministério dos Esportes.

O evento realizado pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) em parceria com o Sindicato dos Engenheiros de Mato Grosso (Senge) atraiu a imprensa da capital, profissionais da área tecnológica, entidades de classes, conselheiros do Crea-MT, autoridades municipais e estaduais. Estiveram presentes o presidente da FNE, Murilo Celso de Campos Pinheiro e o diretor de Futebol do Ministério do Esporte, Ricardo Gomide.

Sem acesso aos projetos, o item acessibilidade, tanto na Arena Pantanal como nas obras de mobilidade urbana, é apontado como umas das principais deficiências na execução dos serviços que está sendo conduzida pela Secopa, em Cuiabá.

“Estão pensando apenas nos veículos e esquecendo dos pedestres e dos ciclistas”, destacou Juarez. “Nas trincheiras e na própria obra do VLT, não se vê projetos que contemplem ciclovias, por exemplo”, acrescentou. Samaniego informou ainda que a fiscalização do Crea esteve no canteiro de obras Arena Pantanal, onde foram detectados problemas de acessibilidade. “Estão concentrando as pessoas com mobilidade reduzida em apenas uma ala do estádio, quando deveria ser por toda arena”, afirmou.

Ele citou outros exemplos como a porta de entrada dos vestuários que não comportaria as pessoas que utilizam cadeiras de rodas. Segundo Samaniego, os projetos foram solicitados à Secopa para análise e possíveis ou necessárias adequações antes da conclusão dos serviços. Porém, até então, não foram encaminhados.

Um tema de atenção unânime foram os prazos para conclusão dos projetos. “As obras de engenharia contemplam os seguintes requisitos: tempo, recurso financeiro e vontade política. Se existirem esses componentes, estarão concluídas no prazo previsto”, disse Samaniego.

De opinião semelhante é o presidente do Sindicato dos Engenheiros em Mato Grosso (Senge), Luiz Benedito de Lima Neto. “Estivemos na Areana Pantanal e até agora é boa a avaliação. O andamento das obras está dentro do cronograma”, comentou. Conforme ele, mais de 40% da estrutura física estão concluídos.

Luiz Benedito também se mostra otimista em relação ao Veículo Leve Sobre Trilho (VLT). “Entendemos que é possível concluí-lo até a Copa. A previsão é que até abril de 2014 já esteja inaugurado e é possível porque o projeto está nas mãos de empresas que utilizam engenharia de ponta. Com tecnologia, disponibilidade financeira, vontade política os avanços são certos”, acredita.

Para ele, o Brasil será vitrine para o mundo e vai avançar em qualidade de vida e em desenvolvimento social e econômico. De acordo com o representante do Ministério dos Esportes, diretor de Futebol Profissional Ricardo Gomyde, a análise da Fifa em relação às obras dos estádios brasileiros é muito boa. Porém, ele reconhece que falhas no quesito acessibilidade representam um risco de embargo por descumprimento à legislação, conforme está previsto na Lei 5.296/2004.

Durante a abertura oficial do evento, o deputado estadual Wellington Fagundes lembrou que "ao tratar das obras para a Copa do Mundo, temos que nos preocupar exatamente com o legado que ficará e percebemos que o Estado não tem conversado com o município." Para Juares, "se quisermos nos orgulhar do resultado das obras esse é o momento, essa é a oportunidade que temos para interferir."

A FNE está discutindo as obras da Copa em cada uma das cidades sede para conhecer os projetos e colaborar para o bom andamento das obras e seu legado em infra-estrutura e mobilidade . Murilo Pinheiro disse ver esse momento como uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento tecnológico para o país.

FNE, Diário de Cuiabá e 24 horas News