Na quinta-feira (13), quando o acidente com o Césio 137, em Goiânia (Goiás- Brasil), completou 25 anos, a Coalizão por um Brasil Livre de Usinas Nucleares se manifestou publicamente, por meio de uma coletiva de imprensa, para informar que vai acionar o governo brasileiro a fim de questionar os riscos da radioatividade nos depósitos de lixo atômico e os planos de segurança em caso de acidente. A iniciativa toma como base a Lei de Acesso à Informação, que facilita o acesso à informação pública por parte dos cidadãos e cidadãs.
A coletiva teve a participação Pedro Torres, coordenador da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, Maurício Piragino, diretor da Escola de Governo de SP, Ademar Sato, monge budista de Brasília que visitou Fukushima após o acidente nuclear, o professor Célio Berman, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), e Fernanda Giannasi, engenheira de Saúde do Trabalhador do Ministério do Trabalho. Além destes, estiveram presentes pessoas que lutam contra os efeitos da radiação e ex-trabalhadores da Nuclemon, empresa que mantém um depósito de lixo radioativo na zona sul da capital paulista.
De acordo com Chico Whitaker, ativista e um dos animadores da Coalizão, a coletiva foi um momento rico em apresentações, debates e depoimentos no qual se pode ter uma visão de toda a problemática relacionada à radioatividade. Devido à importância do momento, o conteúdo da coletiva se tornará um livro.
Entre os depoimentos, Chico lembrou o de um dos participantes da coletiva que visitou um doente de câncer afetado pelo Césio 137 mesmo morando a 300 km de onde aconteceu o acidente. "A esposa deste homem também ficou doente e a filha nasceu há pouco tempo com má-formação, uma cabeça e dois troncos”, apontou, lembrando que já se passaram 25 anos e não se tem noção de quanto tempo ainda será preciso para que as consequências do acidente não sejam mais sentidas.
O ativista também ressaltou a apresentação de Fernanda Giannasi, engenheira de Saúde do Trabalhador do Ministério do Trabalho, que deu um depoimento detalhado sobre radioatividade e falou sobre o depósito de lixo radioativo em Santo Amaro, que está "escondido debaixo do tapete” no terreno da antiga Nuclemon.
"Radioatividade é um assunto tabu, secreto, sobre o qual se dá informações mentirosas para não apavorar a população. Por isso, não temos ideia dos riscos que estamos correndo e nem sabemos, por exemplo, quantas pessoas já foram atingidas pelo lixo radioativo que está no terreno da antiga Nuclemont, onde inclusive já foram construídas casas em um templo religioso. Neste sentido, nossa tarefa é tornar transparentes estes riscos”, explica o ativista.
Os dados recolhidos durante a entrevista coletiva serão recopilados e servirão como embasamentos aos questionamentos que a Coalizão vai apresentar, em carta, à presidenta da república, Dilma Rousseff. A partir da data do recebimento deste documento, o governo terá um prazo de 20 dias para dar uma resposta.
"Caso o governo não responda ou diga que as informações são sigilosas, o que pode acontecer, vamos continuar lutando e tentando avançar. Nós temos opções de outros tipos de energia que não a nuclear, como a energia eólica e a energia solar. O Brasil não precisa de energia nuclear e quem defende que está é a nossa única opção está mentindo”, garante.
Em breve, a coletiva de imprensa realizada hoje poderá ser assistida na íntegra no site: http://www.brasilcontrausinanuclear.com.br.