A relação entre mulheres e tecnologia, geralmente invisibilizada pela história, foi lembrada pela senadora Lídice da Matta (PSB), durante reunião da Frente Parlamentar Mista da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional, na Câmara dos Deputados. O encontro ocorreu nesta manhã, lotando o Auditório 11 da Câmara dos Deputados, e foi aberto com a leitura do Manifesto "À Nação Brasileira", pelo presidente da FNE, Murilo Pinheiro.
Lídice da Matta é vice-presidente da Frente que reúnemais de 200 integrantes, entre eles 10 senadores, quase todos vindos da engenharia, mas ela mesma não é da área. Economista de formação, Lídice disse que aceitou o convite do presidente, Ronaldo Lessa, que conduziu os trabalhos ao seu lado, pela importância da pauta e também para valorizar o papel das engenheiras.
A senadora lembrou do filme lançado em janeiro no Brasil, Estrelas Além do Tempo (2016), que conta a história das "humanas computadoras", para chamar a atenção da Frente para a importância do reconhecimento das profissionais. No início da década de 60, a Nasa se desesperava para vencer a União Soviética na corrida espacial e precisava de cálculos difíceis de confiar aos computadores rústicos. Precisava de um trabalho exaustivo e exato que foi assumido pelas "computadoras', as matemáticas negras Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson.
Formada engenheira, a talentosa Mary Jackson, de conhecimentos e habilidades incomuns para o cálculo, era segregada e isolada dos colegas de profissão homens e brancos. O próprio site oficial da Nasa registra que “a mesa dela ficava junto com as das outras mulheres computadoras e somente muitos, muitos anos depois, permitiram que ela trabalhasse diretamente com os engenheiros de testes de voo”. Jackson tornou-se uma defensora das mulheres e minorias dentro da Nasa.
Sua colega Katherine Johnson, reconhecida como umas grandes mulheres dentro da agência, foi responsável por calcular a trajetória da expedição de Alan Shepard, realizada em 1961, levando o primeiro homem ao espaço, e pela verificação dos cálculos de computador feitos para colocar o primeiro homem, John Glenn, na órbita da Terra.
Ao entrar na Nasa, Katherine foi chefiada por Dorothy Vaughn, que trabalhou durante 28 anos entre a Comitê Nacional para Aconselhamento sobre Aeronáutica (Naca) e a agência que a sucedeu, a Nasa, e 20 anos depois passou a coordenar, em 1949, uma equipe de computadoras, como eram chamadas, formada exclusivamente por mulheres.
O trabalho assumido por elas era considerado monótono, tedioso, envolvendo minuciosos cálculos matemáticos, mas na verdade a atividade estava nos primórdios da informática que conhecemos hoje, com a implementação do sistema de linguagem de programação Fortran, nos anos 1950. Muitos dos cálculos realizados só seriam possíveis de fazer novamente com o uso de computadores que ainda seriam construídos.
O filme dirigido por Theodore Melfi e interpretado por Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe, é adaptado do livro-reportagem homônimo da americana Margot Lee Shetterly, filha de um engenheiro negro da Nasa no campus da Virgínia.
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