Entidades da sociedade civil lançaram nesta segunda (5), em São Paulo, o chamamento ao Fórum Alternativo Mundial da Água – FAMA, com lançamento do Manifesto do encontro que, tradicionalmente, é paralelo ao Fórum Mundial da Água (FMA). Este ano, o evento oficial, organizado por governos e corporações que integram o Conselho Mundial da Água, acontecerá no Brasil, de 18 a 24 de março de 2018.
A bandeira do FAMA é a defesa da água como um direito e não mercadoria, e isso muda toda perspectiva cultivada pelo evento oficial, onde os interesses econômicos acabam determinando a pauta e as barreiras geopolíticas - a exemplo da ocupação e exploração da água Palestina pelo Estado de Israel - são toleradas.
O Fórum Alternativo questiona a falta de legitimidade do conselho organizador, que não tem independência para atacar a mercantilização da água, os privilégios do agronegócio, da indústria pesada e do capital financeiro, que impedem uma gestão da ábua baseada no bem comum.
"Essas grandes empresas apoiam a construção de barragens que afetam populações ribeirinhas sem considerar impactos sociais e culturais e a apropriação e controle dos aquíferos subterrâneos. A aquisição de terras ricas em reservas naturais, entre elas a água, tem sido a estratégia dessas corporações no Brasil e em países da América Latina", diz um documento do FAMA. As entidades da sociedade civil denunciam que a privatização será a pauta do FMA.
O FAMA quer organizar justamente a resistência às políticas que o FMA pretende traçar para a gestão da água no mundo. Será, portanto, um encontro de críticas, manifestações de protesto, organização de movimentos de pressão nos países e na cena internacional e apresentação de propostas alternativas.
O lançamento foi feito na livraria Tapera Taperá, próximo à região do Anhangabaú. De acordo com material de divulgação do FAMA, o local tem grande simbolismo para o abastecimento de água na cidade de São Paulo: "Em sua formação, São Paulo achava-se rodeada pelos rios Anhangabaú, Tamanduateí e Tietê e a população era obrigada a recorrer a eles para se abastecer. Em 1744 foi construído o primeiro chafariz da cidade com águas do Anhangabaú, mas ele era particular e pertencia aos franciscanos, instalado dentro do claustro. Dois anos depois, em 1746, foi inaugurado o primeiro chafariz público - o Tanque Municipal -, logo seguido pelo Tanque de Santa Teresa, ambos abastecidos também das águas do Anhangabaú. Essas foram as primeiras alternativas de abastecimento da cidade. Em 1910, o rio Anhangabaú foi canalizado e tornou-se o Parque do Anhangabaú".
Redação FNE