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Quatro em cada cinco brasileiros vivem em cidades. A proporção é resultado de um processo de urbanização crescente iniciado na segunda metade do século passado, quando o Brasil deixou de ser um país predominantemente agrário e se transforma em economia industrial. Apesar do progresso econômico, a concentração das pessoas nas cidades não favoreceu a inclusão social.

De acordo com dados do IBGE, 19% brasileiros que vivem em grandes regiões metropolitanas estão em situação de pobreza (dados da Pnad 2007). Historicamente, a pobreza está associada a desigualdades econômicas, dificuldades de acesso às políticas públicas e vulnerabilidades sociais como o desemprego e à violência. Problemas que afligem especialmente crianças e adolescentes das famílias residentes em comunidades populares.

Buscando a mobilização social e atendimento dessa população, o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) lança na próxima terça-feira (7), em São Paulo, e na quarta-feira (8), no Rio de Janeiro, a campanha Plataforma dos Centros Urbanos. A iniciativa que estabelece alianças entre as comunidades, prefeituras e setor privado tem como metas locais reduzir a violência doméstica e na escola; acabar com o trabalho infantil e a exploração sexual de crianças e adolescentes; melhorar a qualidade de ensino; aumentar a participação dos pais na vida escolar e incrementar presença de crianças e adolescentes nas ações comunitárias.

A mobilização também quer estimular a amamentação exclusiva com leite materno até os seis meses de vida; diminuir a incidência da dengue entre crianças e adolescentes; e aumentar a participação desses jovens nos programas de educação sexual e de prevenção de HIV/aids.

Em São Paulo, a campanha será lançada com a presença do prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP) e do desenhista Maurício de Sousa. No Rio, ela será lançada com a participação do governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), do prefeito Eduardo Paes (PMDB-RJ) e do novo embaixador do Unicef no Brasil, o ator Lázaro Ramos. Nas duas cidades, 60 comunidades foram escolhidas para iniciar a mobilização. Essas localidades formaram grupos articuladores com a participação de professores, agentes sociais, meios de comunicação comunitários, crianças e adolescentes.

“ Vamos organizar uma dinâmica social para fazer chegar políticas públicas relacionadas a essas metas”, disse Marie-Pierre Poirier, representante do Unicef no Brasil. Ela assinala que a mobilização terá caráter propositivo e se baseará no protagonismo dos beneficiários. “Para que não vejam a política pública apenas como uma estratégia de prevenção, mas também uma estratégia de oferecer alternativas e oportunidades”, disse ela, em referência ao combate à violência.

Conforme a representante do Unicef, os resultados da campanha serão avaliados em 2011 com base na redução dos indicadores de desigualdade. Para Marie-Pierre Poirier, a desigualdade é uma das principais características das grandes cidades. “A pobreza é muito próxima da riqueza. É muito mais óbvia e isso cria situação de violência nas periferias. O que aqui no Brasil é muito preocupante”. A estratégia do Unicef será levada a outras grandes cidades brasileiras, como Belo Horizonte, Belém e Fortaleza. A mobilização também poderá ser adotada em outros países, como Colômbia e México.