O secretário-geral da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), Yvo de Boer, afirmou hoje (8) que os projetos para reduzir a emissão de gases que provocam o efeito estufa, financiados com dinheiro público das nações ricas, também devem servir aos grandes países em desenvolvimento, como o Brasil, a China e a Índia.
“O dinheiro deve ser focalizado para projetos em todos os países pobres e em desenvolvimento. Os grandes países também devem ter acesso, mas isso vai depender de cada projeto apresentado”, afirmou durante entrevista coletiva no segundo dia da conferência.
Os negociadores brasileiros em Copenhague já anunciaram que não será aceito um acordo que exclua os projetos dessas nações em desenvolvimento para que o compromisso financeiro dos países ricos com as medidas de adaptação das economias emergentes seja restrito. O Brasil teme que os países ricos estejam procurando um acordo apenas para garantir fundos de curto prazo da ordem de US$ 10 bilhões por ano entre 2010 e 2013.
As negociações do primeiro dia da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15) puseram em alerta o Brasil e outras nações pobres e em desenvolvimento que participam das discussões. O G77, bloco de países composto por 77 nações, entre as quais o Brasil, a Índia e a África do Sul, teme que esteja em andamento uma manobra para limitar o financiamento dos países ricos às ações para tornar ambientalmente sustentável o crescimento econômico nas próximas décadas.
O receio é fundamentado pelo avanço da recente proposta de estabelecer como acordo, aqui em Copenhague, a destinação de U$ 30 bilhões para as ações de mitigação nos próximos três anos. A tese, defendida pelo Brasil, é de que esse é apenas um compromisso de curto prazo. Para que se chegue a um entendimento, seria preciso bater o martelo sobre o investimento previsto para os próximos dez anos.
De Boer ressaltou, no entanto, que é preciso aumentar a participação dos fundos nos países pobres, já que atualmente 80% dos recursos chegam apenas a oito nações.
O secretário-geral ainda lamentou que as conversas “sérias” só começaram nas duas semanas que antecederam o encontro, o que torna mais complicado um entendimento antes da chegada dos chefes de Estado, no próximo dia 15 (Fonte: Agência Brasil)