Atualmente apenas 0,4% do resíduo é aproveitado para produção de biodiesel, o que significa que a grande maioria é despejada inadequadamente no esgoto. A informação foi dada pelo professor Jorge Hori, durante sua palestra no IV EcoSP (Encontro de Meio Ambiente de São Paulo), na tarde desta quinta-feira (18). Representante do Programa Bióleo Duplamente Sustentável, ele lembrou que esse é desenvolvido pelo Instituto PNBE (Plano Nacional das Bases Empresariais) e insere-se no Projeto Brasil 2022, que visa dar um salto em relaçao ao desenvolvimento nacional até o ano do bicentenário da Independência.
O aproveitamento do óleo de cozinha usado de forma “duplamente sustentável” – como destacou Hori, viabilizando substituição do diesel e reduzindo os níveis de poluição decorrentes da queima daquele combustível e atenuando o impacto ao meio do descarte impróprio – depende da sustentabilidade do projeto. “Não se resolve o problema simplesmente apelando para a consciência ambiental. Se o resíduo não tiver valor econômico, não se sustenta. E se não atender a dimensão social, não há justiça.”
Com essa visão, o Programa Bióleo fundamenta-se na chamada “logística reversa social”. Ele detalhou: “Uma rede de entidades serve de ponto de recepção do óleo da vizinhança e o transforma, o qual tem um mercado e pode gerar renda.” Essa teia recebe pelo serviço e assegura, com boa logística, o atendimento ao mercado doméstico – no qual concentra-se o descarte do produto (70% do total), sobretudo à baixa renda. Como afirmou Hori, o conceito fundamental é de tornar um “passivo com grande custo ambiental em um ativo que tem valor”.
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Autor: Beatriz Arruda