Reportagem do jornal Financial Times, publicada no Valor Econômico de 14 de maio, revela que o Brasil pode em breve se tornar um dos primeiros países a entrar na lista dos produtores de etanol celulósico em escala comercial. A joint venture Raízen, parceria entre a Royal Dutch Shell e a Cosan, está com um plano de construir uma usina para produção do combustível com capacidade para 37,8 milhões de litros por ano. Nos Estados Unidos, a EPA prevê que seis usinas produzam etanol celulósico no país em 2012.
O etanol celulósico é apontado como uma das promessas para a geração de energia a partir de fontes renováveis, mas ainda não é produzido em escala comercial. Nos Estados Unidos, a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) prevê que seis usinas produzam etanol celulósico no país em 2012, gerando 39,7 milhões de litros de combustível, quase o mesmo volume previsto para a planta brasileira da Raízen, segundo reportagem publicada em 9 de maio pela revista norte-americana Technology Review. Apesar da recente oscilação da indústria de etanol no Brasil, a Raízen apresentou agora o projeto a seu conselho de administração, depois de anos de pesquisas em parceria com a Codexis, da Califórnia, e a Iogen, do Canadá, destacou a reportagem. “Está é a solução mais limpa possível – pegar refugos e transformá-los em combustível”, afirmou ao FT o presidente executivo da Raízen, Vasco Dias. “Assim que alguém fizer isso, a coisa vai explodir”, disse Dias. Segundo o jornal, a comercialização plena desse tipo de etanol ainda vai demorar alguns anos. Entre as principais barreiras estão o custo das enzimas que decompõem a celulose dos resíduos, como bagaço, folhas e cascas. Abertura do mercado O FT lembra que o momento é particularmente favorável para o Brasil, já que os Estados Unidos, o maior produtor mundial de etanol, derrubaram no final do ano passado a cobrança das tarifas de importação que encareciam o álcool brasileiro. Apesar disso, o setor vem sofrendo com a falta de investimentos, o que tem se refletido na produção do etanol de primeira geração. Outro fator positivo é a perspectiva de a Europa ampliar a proporção de combustíveis limpos nos transportes até 2020. “O momento que as empresas brasileiras sempre esperaram parece finalmente ter chegado”, informou a reportagem. Momento é particularmente favorável ao Brasil, já que os EUA derrubaram as tarifas de importação Dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) citados pelo FT mostram que o Brasil dispõe de terras suficientes para gerar, com a cana, um quinto do combustível utilizado pela frota mundial de automóveis. Atualmente, o País responde por 30% do mercado de etanol no mundo, atrás dos Estados Unidos, com 58%. “Porém, o problema que os produtores brasileiros e americanos de etanol enfrentam é a 'muralha da mistura’ – um limite à proporção do biocombustível que pode ser misturado ao combustível para transporte rodoviário nos EUA”, apontou o jornal.
Fonte: Inovação Unicamp