O sinal de alerta vem sendo acionado há décadas, mas os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica divulgados pelo Ministério da Educação no dia 14 de agosto serviram para escancarar de vez uma realidade que já causa efeitos nocivos na tímida retomada do desenvolvimento do País: a carência de profissionais e a precariedade da qualificação dos mesmos têm origem nas graves deficiências no ensino fundamental e médio.
Mesmo que o IDEB aponte avanços na educação de base em nível nacional, o Rio Grande do Sul mais uma vez, insiste em andar para trás, ou na melhor das hipóteses, se manter estagnado, como que vem ocorrendo desde 2009, o que na prática, dá no mesmo.
Discurso antigo, mas cada dia mais urgente, exigir do Governo Federal, dos Estados e dos municípios investimentos volumosos que coloquem a educação como verdadeira e máxima prioridade nacional, não significa apenas a defesa da cidadania e do acesso universal ao saber e ao conhecimento. Em tempos de economia globalizada, as deficiências na formação profissional verificadas desde a alfabetização, são um dos pilares identificados por quem busca justificativa para a baixíssima competitividade que atualmente coloca em risco toda a indústria brasileira.
Da mesma forma, o flagrante sucateamento da estrutura pública de ensino e a histórica desvalorização do quadro de professores da rede estadual, onde o Rio Grande do Sul lamentavelmente é um exemplo grotesco e vergonhoso, são fatores que contribuem em muito para a escassez de mão-de-obra qualificada e o êxodo de profissionais para outras atividades, para outros estados e até mesmo para o estrangeiro.
Em contrapartida, a atual crise econômica européia atrai para o Brasil jovens profissionais altamente qualificados oriundos de países como Itália, Espanha, França e Portugal, nações que há décadas descobriram a fórmula inicial do desenvolvimento. Se compararmos nossos investimentos em educação com os realizados pela Coréia do Sul, China e Índia, nossos rivais na busca de mercados e oportunidades, concluiremos mais uma vez, que estamos perdendo tempo e espaço, ou seja, ficaremos definitivamente para trás.
Fonte: Senge-RS