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Cresce Brasil

Para atender à demanda futura, será necessário investir cerca de R$ 213 bilhões na construção de 65,4 mil MW em usinas (algo como seis hidrelétricas de Belo Monte).

Além disso, o país vai precisar aplicar R$ 55,8 bilhões na construção de 47,7 mil quilômetros de linhas de transmissão no território nacional -o mesmo que instalar oito linhões de transmissão de energia ligando o Oiapoque (AP) ao Chuí (RS).

Esse novo ciclo de expansão do setor elétrico abriu um debate sobre a capacidade das empresas para investir, uma vez que a MP 579, que abriu a possibilidade de renovar as concessões, exige em troca a redução das tarifas e, portanto, das receitas.

"A energia mais cara é a que falta", alerta Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base.

Para Ricardo Carvalho, diretor sênior de empresas da agência de classificação de risco Fitch, o governo deveria estar preocupado com a reação do mercado.

As ações da Eletrobras, que perderá R$ 8,5 bilhões em receita com a MP 579, já caíram cerca de 50% na Bolsa paulista desde 11 de setembro, quando o governo anunciou os planos de redução das tarifas de energia.

"Será um desafio o governo conseguir atrair capital privado depois dessa medida. Há um grande desconforto. O governo não parece preocupado, mas deveria estar", diz Carvalho.

João Carlos Mello, presidente da Andrade & Canellas, consultor do setor elétrico, acha que o investidor tende agora a se afastar dos projetos de infraestrutura elétrica.

O governo terá de assumir um papel maior para capitalizar as empresas e assegurar investimentos. O peso sobre o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vai aumentar.

"Acho que os investidores privados ficam uns cinco anos fora do setor. Até lá, o governo é que terá de encontrar formas de capitalizar a Eletrobras", diz.

APARENTE OTIMISMO

O governo tem outra avaliação e não acha que os investimentos serão afetados pela medida provisória.

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, diz que a reação do mercado nas últimas semanas foi resultado de "frustração de expectativas ou erro de avaliação".

Ele defendeu a medida provisória dizendo que o governo não poderia admitir mais a transferência da renda gerada pelo setor elétrico para os acionistas, e não para os consumidores brasileiros.

Fonte: Folha Online

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