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O escritório onde o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, trabalha está a poucos metros do local onde funcionou "O engenheiro que virou suco". A antiga lanchonete, que ganhou fama por expor a falta de perspectivas de trabalho dos que se formavam na década de 80, é hoje motivo para Belini se divertir. "Agora ninguém mais vai querer virar suco", diz, com uma gargalhada, ao prever que, com o regime automotivo, a indústria vai precisar de mais engenheiros.

O investimento mínimo em engenharia é uma das exigências do programa. Foram fixados índices, que aumentarão gradativamente entre 2013 e 2017. No primeiro ano, para livrar-se do IPI adicional de 30 pontos percentuais, a empresa terá de comprovar que investe 0,5% da receita bruta em engenharia. O percentual chegará a 1% em 2017. No caso de pesquisa, o índice exigido começa com 0,15% e vai a 0,5% em 2017. "O Brasil é criativo e com os laboratórios que serão criados para atender à necessidade de pesquisa teremos muita inovação. No futuro, o conhecimento nos poupará de ter de pagar "royalties"", diz Belini.

O executivo não esconde a satisfação de selar seu mandato na Anfavea, que termina em 2013, com o programa que ele considera a maior inovação da história da indústria automobilística desde que se inventou o motor movido a álcool, em 1979. "Alguns podem dizer que é política protecionista. Mas se quisessem proteger era só colocar o dólar a R$ 3 e aí ninguém conseguiria vender carros importados nesse mercado", destaca.

O presidente da Anfavea considera, porém, que as próximas medidas rumo à competitividade da indústria e do país estão nas mãos do poder público: "Os primeiros passos começaram a ser dados com programas como o da redução do custo de energia, o fim da guerra fiscal nos portos e a queda dos juros. Mas ainda enfrentamos muitos problemas, principalmente com logística. É triste ver que os navios passam até 15 dias, na espera, nos portos, ou a ausência de cabotagem para o transporte, a carência de ferrovias..."

As montadoras têm até o fim do mês para se habilitarem ao Inovar-Auto, nome do programa. No item processos produtivos, que representa as diversas fases da produção de um veículo, as empresas terão de garantir que cumprirão no país 12 etapas no caso da produção de automóveis e 14 em caminhões. O mínimo exigido começa com seis a oito processos em 2013, passa para sete a nove no ano seguinte e, assim, sucessivamente, até completar as 12 fases.

Os dirigentes da indústria de autopeças discordam dos critérios nesse caso. Segundo o presidente do Sindipeças, Paulo Butori, várias das fases fixadas podem ser feitas sem grande intervenção fabril local. É o caso, cita como exemplo, de montagem de direção e dos sistemas elétricos e de freios.

Para medir o conteúdo local, será usado um multiplicador, que também diminuirá gradativamente. No primeiro ano, o valor das compras de componentes produzidos no Mercosul será multiplicado por 1,3. Nos anos seguintes o índice cai, até deixar de existir em 2017. Até lá, a empresa terá de produzir veículos com conteúdo local mínimo de 60%. As empresas terão, ainda, de etiquetar os carros com o índice de eficiência energética. O programa envolverá 36% dos carros vendidos em 2013 e aumentará até 100% em 2017.

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