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O Brasil do último século traz exemplos heróicos de engenheiras que se impuseram como profissionais e hoje figuram como referências no mundo da pesquisa, inovação, da tecnologia e da ciência. Elas foram sobretudo desbravadoras, dos espaços para a mulher e de novos conhecimentos.

Enedina (à esquerda) com as professoras do Grupo Barão de Antonina, em Rio Negro (PR), na década de 1930, quando lecionava

Desde Hypatia, a mulher que dominava os números e estudada o Sol nos áureos e derradeiros tempos de Alexandria, e por isso foi perseguida por seus conhecimentos, a relação das mulheres com a tecnologia é fruto de muita perseverança para romper com as barreiras de um mundo que durante muito tempo foi considerado masculino.

As histórias das mulheres na engenharia são histórias dessa luta, movida pela paixão e coragem para enfrentar as turbulências de cada tempo. O Brasil do último século traz exemplos heróicos de engenheiras que se impuseram como profissionais e hoje figuram como referências no mundo da pesquisa, inovação, da tecnologia e da ciência. Elas foram sobretudo desbravadoras, dos espaços para a mulher e de novos conhecimentos.

Há pouco mais de cem anos, nascia no Paraná, Enedina Alves Marques, descendente de negros escravizados, e filha de trabalhadores humildes que, em 1945, se tornaria a primeira engenheira negra no Brasil e primeira engenheira do Paraná.

Enedina Alves


Enedina Alves MarquesNão é fácil imaginar como a menina criada na casa dos patrões conseguiu vencer barreiras de classe e de raça e impor-se na vida adulta pela excelência profissional. Aproveitando cada chance que teve, ao compartilhar estudos com a menina branca da família e fazer um tipo de supletivo da época, tornou-se professora e, alguns anos depois, conseguiu diplomar-se na profissão escolhida e iniciar uma carreira de sucesso e reconhecimento.

Trabalhando no Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica, foi a responsável pela construção da Usina Capivari-Cachoeira. Ela trabalhou ainda no Plano Hidrelétrico do estado e no aproveitamento das águas dos rios Capivari, Cachoeira e Iguaçu.
Não lhe faltava autoridade ao comandar suas equipes. Segundo pesquisadores, durante a obra na Usina, usava macacão e portava uma arma na cintura. Atirava para o alto sempre que fosse necessário se fazer respeitada como uma chefe negra, em uma profissão “de homens”. (Saiba mais na monografia de Jorge Luiz Santana)

Victoria Rossetti
Victoria Rossetti
Reconhecida como uma das maiores pesquisadoras no mundo em doenças que atingem a citricultura, Victoria Rossetti contribuiu com conhecimentos decisivos para que o Brasil se tornasse o grande exportador mundial de suco de laranja,

Nascida em Santa Cruz das Palmeiras (SP), em 1917, filha de imigrantes italianos, cresceu em fazendas,  onde sempre mostrou interesse pela fitopatologia, colhendo material com a família para estudar o efeito das pragas e doenças que afetavam as plantas.
Foi a primeira engenheira agrônoma formada pela Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, em 1937. Em 1940, ingressou como estagiária no Instituto Biológico, onde desenvolveria toda a sua carreira, pesquisando e combatendo, por exemplo, a a leprose dos citros e o cancro cítrico.
Em 1987, foi convidada a identificar uma doença nova na Fazenda Ana Prata, na região de Bebedouro (SP). “Eu não sabia o que era”, diria anos mais tarde. Ninguém sabia. Aos poucos, a pesquisadora foi desvendando o mistério. Cobrindo algumas plantas com telas e comparando-as, depois, com as que estavam expostas, ela descobriu que o vetor da doença era um inseto: as plantas cobertas continuaram sãs.
Para testar a hipótese do entupimento dos vasos da planta, criou um equipamento tão simples quanto engenhoso: tubos transparentes por onde eram introduzidos galhos da planta. Depois, eles eram cheios com água. Nos tubos que continham galhos saudáveis, surgiam muitas bolhas, como resultado do ar que saía dos vasos da planta.
Nos tubos contendo plantas doentes, a água borbulhava bem menos, prova de que os vasos estavam entupidos. Para identificar a bactéria causadora da doença, Victória foi à França, onde teve a ajuda de Joseph Bové, especialista em fitopatologia.
No mesmo ano, a pesquisadora identificou a bactéria Xylella fastidiosa, causadora da doença a que deu o nome de clorose variegada dos citros.
Ela faleceu em dezembro de 2010, merecendo homenagem da Fapesp. Saiba mais aqui

Maria Magalhaes Peixoto

Marília Magalhães Chaves Peixoto

Ela foi a primeira mulher doutora em matemática no Brasil e pioneira em áreas de pesquisa em um período que a matemática era desenvolvida nas politécnicas, ao invés de espaços próprios.
Nasceu em 1921 na cidade de Santana do Livramento, RS. Em 1946, formou-se em engenharia e matemática na Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Era aluna ouvinte no curso de Matemática da Faculdade Nacional de Filosofia, enquanto fazia o curso de Engenharia e atuava como monitora na Escola Nacional de Engenharia. Em 1948, obteve o grau de doutora em Ciências e foi aprovada em concurso para livre-docente da mesma instituição.
Casada com Maurício Peixoto, um dos mais importantes matemáticos brasileiros, tornou-se tambem sua parceira em pesquisas e, juntos, dirigiam o Gabinete de Mecânica da universidade Seus trabalhos em conjunto sobre funções convexas tiveram repercussão internacional e, em 1951, a professora Marília foi eleita para a Academia Brasileira de Ciências, sendo efetivamente a primeira mulher a ingressar nos quadros daquela instituição.
Em 1959, publicou nos Anais da Academia Brasileira de Ciência, em conjunto com Maurício, o trabalho “Structural stability in the plane with enlarged boundary conditions”. O teorema Peixoto, como ficou conhecido, trata da caracterização dos sistemas estruturalmente estáveis em variedades bidimensionais. Marília Peixoto faleceu, ainda jovem, em 1961. Saiba mais.

Ana Maria Primavesi

Ana Maria Primavesi

Nascida na Áustria, em 1920, a maior incentivadora da agroecologia no Brasil nasceu na Áusria, em 1920, e naturalizou-se brasileira. Formada em 1942, Ana Maria Primavesi tornou-se reconhecida por diversos avanços no estudo das ciências do solo em geral, especialmente no seu manejo ecológico. É uma das mais importantes pesquisadoras da agroecologia e da agricultura orgânica. Foi professora na Universidade Federal de Santa Maria, onde contribuiu diretamente para a organização do primeiro curso de pós-graduação direcionado à agricultura orgânica.

Ao longo de seus 60 anos de carreira, recebeu diversos prêmios. Recebeu o “One World Award”, da IFOAM (em português “Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica”), em 2012. Também recebeu títulos “Doctor honoris causa” em diversas universidades brasileiras. O Centro Acadêmico de Agroecologia da UFSCar, inaugurado em 2010, leva o seu nome.


Depois de aposentada, colocou em prática seus conceitos sobre agricultura orgânica em sua própria propriedade agrícola, em São Paulo. Fundou a AAO (Associação da Agricultura Orgânica), uma das primeiras associações de produtores orgânicos do Brasil.
Escreveu diversos livros, sendo o principal deles “Manejo ecológico do solo: a agricultura em regiões tropicais”, considerado como referência para quem quer estudar ciências agrárias. Esse livro pode ser lido clicando aqui. Saiba mais.


Aïda EspinolaAïda Espinola

A carioca  que amava química faz parte da história de pesquisas da Petrobrás, do pré-sal e até da viagem à Lua.  Até tornar-se engenheira química, Aïda Espinola, precisou escolher muito. Ela conta que, ainda na adolescência, seu  sonho era ser ‘doutora’ e, por isso, entendia que deveria seguir Medicina. "Porém, ouvi meu pai que, aconselhado por um amigo, sugeriu que eu fizesse Química. Esse senhor dizia ao meu pai que, se eu fizesse o curso de Medicina, de duração de seis anos, eu certamente não o concluiria porque era muito bonita e me casaria antes. Então, que fizesse Química, que durava quatro anos, e ainda ajudaria nos negócios de família”

Formou-se aos 21 anos, em 1942 e passou em primeiro lugar no concurso do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), para o posto de tecnologista químico. Num ambiente em que a presença masculina era dominante, começou a dar expediente no DNPM e lá implantou o Laboratório de Análises Químicas de Rochas e assumiu, oficialmente, sua chefiam 1942, aos 21 anos, graduada em química industrial, passou em primeiro lugar no concurso do Departamento Nacional de Produção Mineral, vinculado ao Ministério de Minas e Energia, para o posto de tecnologista.
Cursou uma segunda faculdade, a de engenharia química. Depois, fez mestrado e doutorado nos Estados Unidos e três pós-doutorados na Argentina. A dedicação lhe rendeu boas conquistas. Considerada uma das pioneiras na química brasileira, Aïda foi uma das precursoras nos estudos das rochas dos reservatórios de petróleo no país, que mais tarde serviriam de base para as análises da promissora camada pré-sal.

Seus estudos químicos de rochas foram fundamentais para o levantamento de reservas no Brasil. Ela também analisou materiais coletados na Lua, recolhidos por Neil Armstrong. Fez pesquisas nos reservatórios de petróleo no País antes da criação da Petrobras.
Em 2913, lançou seu 12º livro. Em Ouro Negro (Interciência),Aïda Esçpinola narra a história do petróleo no Brasil desde a exploração do primeiro poço, em Lobato, na Bahia, em 1939. A engenheira conta que o primeiro barril extraído foi examinado no laboratório chefiado por ela. Saiba mais.

Redação FNE, com as fontes linkadas na matéria.

 

 

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