Ao participar das comemorações do Dia Mundial Sem Carro (22) na capital federal, o ministro das Cidades, Marcio Fortes, prometeu mais investimentos na construção de ciclovias e bicicletários em todo o país, à medida que as prefeituras pedirem a verba. “Cada cidade tem uma situação de necessidade”, afirmou.
“A bicicleta é fundamental. Com ela, você pode acessar um metrô, um terminal de ônibus e não necessariamente vir de carro. Vamos cuidar mais do meio ambiente, diminuindo a emissão de poluentes”, disse Marcio Fortes, antes de participar do 10º Congresso Brasileiro de Municípios.
O ministro destacou que em alguns locais do país, como Brasília, o regime climático definido facilita o uso de bicicletas. Ele lembrou também que o sistema de locação de bicicletas, já implantado no Rio de Janeiro, barateia os custos com transporte. “Quanto mais gente utiliza bicicletas, mais ciclovias serão construídas”, disse.
Para o presidente da organização não governamental Rodas da Paz, Ronaldo Alves, as comemorações trazem à tona não apenas as discussões sobre o uso intensivo de automóveis, mas também sobre todos os problemas de saúde pública e de falta de qualidade de vida provocados pela situação.
“Temos uma alternativa não poluente, relativamente barata e que agrega pessoas, que é a bicicleta. Imagina o quanto os países vão deixar de gastar com doenças e com mortes no trânsito”, afirmou.
Alves reconhece, entretanto, que as dificuldades ainda são muitas. Em Brasília, por exemplo, dos 600 quilômetros (km) de ciclovia prometidos pelo governo, apenas 42 km foram construídos até o momento. “E eles não caíram do céu. Temos que acreditar que é possível, mas falta muito.”
Em Curitiba, ruas liberadas
Desde as 6h do dia 22, 40 quadras de 15 ruas do centro de Curitiba foram fechadas aos automóveis e só voltaram a ser liberadas às 20h. A prefeitura autorizou o acesso nesses trechos apenas de ônibus, bicicletas, pedestres e veículos de emergência.
Nas ruas foram oferecidos exames de saúde e atividades de educação de trânsito, lazer e serviços, com o objetivo de chamar a atenção para a necessidade de reduzir a emissão de poluentes.Quatro ciclotáxis – puxados por bicicletas – ficaram à disposição para passeios nas principais ruas bloqueadas.
Os passeios foram coordenados pela organização não governamental (ONG) Grupo de Transporte Humano, União de Ciclistas do Brasil. Nesses trajetos foram distribuídas 5 mil mudas de árvores nativas e 3 mil de flores. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente participou com ações de educação ambiental para chamar a atenção da população sobre o impacto do uso abusivo dos veículos individuais para o aquecimento global.
A prefeitura fez campanhas convidando a população para deixar hoje o carro na garagem e usar ônibus, sair a pé ou de bicicleta, em benefício da saúde e da cidade, que tem um dos mais altos índices de motorização do país, de 1,67 habitante por veículo.
No Rio e São Paulo, passeios e debates
Para comemorar o Dia Mundial sem Carro, várias pequenas atividades se espalharam pelo Rio de Janeiro, começando pela manhã, na Praça Mário Lago, no centro, com apresentação da banda da Guarda Municipal, seguda de dança rítmica. Também foram dedicadas ao Dia uma apresentação de tai chi chuan no Clube Escolar da Mangueira, de teatro de rua, além de curso de educação cicloviária,às 9h em Copacabana, com noções sobre o uso adequado da bicicleta como meio de transporteo
Em São Paulo, o Serviço Social do Comércio (Sesc) promoveu o evento "Pegue Carona Nessa Ideia". A trupe de palhaços Os Sustentáveis - Agentes de Transição iniciou na Rua do Carmo suas intervenções artísticas e ações interativas com a distribuição de material informativo durante cortejo que seguiu de lá para o Poupatempo-Sé, Praça da Sé, Rua XV de Novembro, Praça Antonio Prado, Rua São Bento, pelo Largo São Bento, a Rua Líbero Badaró, o Viaduto do Chá, a Rua 24 de Maio, Avenida Ipiranga, Barão de Itapetininga, Praça Patriarca, Rua Direita, Praça da Sé e novamente Rua do Carmo.
No Sindicato dos Engenheiros de São Paulo (SEESP) a data foi reservada para o debate sobre Plano Diretor em São Paulo e Mobilidade Urbana no Brasil, com o propósito de gerar subsídios para a tramitação de leis na cidade e no país. (Com notícias da Agência Brasil)