Marcio Pochmann abre o ciclo de palestras no VII Conse
Iniciando o ciclo de palestras do VII Conse, o presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Marcio Pochmann, falou na manhã desta quinta-feira (24), sobre as perspectivas do Brasil avançar e se estabelecer como potência mundial.
Segundo ele, a crise mundial provocou uma decadência relativa dos Estados Unidos e abriu espaço para que o país possa liderar a região sul-americana. “Com o milagre do pré-sal não podemos desperdiçar a oportunidade. Precisamos de uma maioria política que lidere um projeto de desenvolvimento forçando uma maior convergência entre as políticas fiscal e monetária."
Com isso, o Brasil superaria seu histórico de desigualdades sociais e reconectaria o avanço econômico juntamente com o avanço social.
Pochmann fez um panorama de como o Brasil passou ao longo de sua história pelos momentos de crise e definiu três pontos a serem desenvolvidos como forma de garantir a posição. Um deles é a convergência política, separando a aparência da essência. "Nesse contexto, os partidos políticos e as entidades, incluindo as sindicais são fundamentais para garantir que a democracia seja exercida. A luta política nunca foi tão importante como nesse momento.”
A segunda condição é a redefinição do Estado brasileiro através de um conjunto de reformulações em todos os setores da sociedade, principalmente na educação. Apenas 13% dos jovens brasileiros estão na universidade. O conhecimento será o principal ativo e o mínimo que a sociedade da informação exige é a graduação. Temos que abandonar a escola utilitarista, que visa apenas o trabalho e não a vida toda. Estamos cada vez mais ignorantes.”
Isso acontece porque a maioria das famílias brasileiras não têm condições de financiar a educação dos filhos, e eles são obrigados a trabalhar desde cedo. “Isso é uma jornada de trabalho igual a dos operários do século XIX. Estudar e trabalhar não combina”, afirma Pochmann.
O terceiro aspecto a ser desenvolvido é o avanço no sistema de tecnologia e inovação. Pochmann lembrou que esse modelo de produção beneficia apenas as grandes corporações e que é preciso atender as micro e pequenas empresas que correspondem a 70% dos empregos gerados no Brasil.
Para finalizar, o presidente do Ipea mencionou o permitirá ou não avançarmos será o processo eleitoral do próximo ano. “Devemos atentar aos projetos futuros que dêem continuação expansão econômica com melhoras sociais.”