Um avião capaz de dar a volta ao mundo sem usar uma gota de combustível parece ficção, mas não é. Trata-se do Solar Impulse, projeto que tem o objetivo de dar a volta no globo a bordo de um avião movido exclusivamente por energia solar, deixando de lado qualquer outro tipo de fonte energética. Chamada de HB-SIA, a aeronave, semelhante a um aeroplano, deve voar durante o dia e à noite, demonstrando o potencial de uso das energias renováveis.
Os suíços Bertrand Piccard e Andre Borschberg, idealizadores da iniciativa, esperam induzir indústria, cientistas, políticos e sociedade civil às mudanças necessárias para alcançar uma melhor utilização dos recursos energéticos e maior respeito ao meio ambiente.
À frente do projeto com Piccard, o engenheiro mecânico e piloto André Borschberg comanda a construção do avião, que envolve uma equipe de 65 pessoas composta por especialistas de todas as origens e de diferentes formações - engenheiros de materiais, físicos, gestores de energia e membros da Escola Politécnica Federal de Lousanne (EPFL), considerada uma das principais instituições tecnológicas da Europa.
O desafio não é nada simples. O grupo precisou projetar um avião gigantesco, com a envergadura de um Airbus A340, mas que pesa o mesmo que um automóvel - 1.600kg - e possui motores com a potência de uma pequena moto.
"Nosso desafio está em acumular cada watt gerado pela energia solar e descobrir como economizá-la. Apenas as soluções mais avançadas, a maioria delas nunca antes aplicadas, permitirá isso. Acreditamos que podemos chegar a essas soluções combinando a experiência e somando o potencial de cada membro da equipe", explica Borschberg.
Acúmulo de energia
Para tanto, as asas e estabilizadores horizontais são todas cobertas por mais de 11 mil células solares que captarão a energia solar, transformá-la em eletricidade e alimentar os quatro motores. O grande problema, no entanto, será a fase em que o HB-SIA voará à noite. Para isso, quatro baterias de lítio serão necessárias para armazenar eletricidade enquanto não houver captação da luz do Sol.
O princípio consiste em acumular energia solar durante o dia, alimentando os motores e recarregando as baterias. À noite, as baterias que foram abastecidas durante o dia passarão a funcionar, mantendo o avião no ar. Nesse período, a aeronave perderá altitude gradativamente para economizar energia - a altitude máxima, quando houver Sol, será de 8.500m.
Como só é capaz de voar a 70km/h, o Solar Impulse levará cerca de 36 horas para dar a volta na Terra. O primeiro voo de teste deve ocorrer ainda este ano ou no começo do ano que vem, mas a equipe de Bertrand e Piccard não divulgou a data. A circunavegação pelo mundo deverá ser feita em 2012. Até lá, alguns detalhes poderão ser alterados. A equipe avalia a necessidade de construção de uma aeronave com dois lugares, para que a viagem possa ser feita sem escalas. O modelo atual do Solar Impulse tem espaço para apenas um piloto, o que exigiria uma viagem em cinco etapas.
Fonte: Fátima Pacheco, Correio Braziliense