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Espaço Interativo de Ciências, na USP em São Carlos, é o responsável pelo desenvolvimento de jogos voltados a crianças e adolescentes

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Doutora Odete é uma médica epidemiologista brasileira que tem a missão de descobrir qual doença uma jornalista norte-americana contraiu durante uma visita de trabalho ao Brasil. E você pode ajudá-la nessa descoberta jogando o Negligência Mortal (NM), o mais novo game desenvolvido pelo Espaço Interativo de Ciência (EIC). Ele é vinculado ao Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar) sediado na USP, em São Carlos.

O espaço desenvolve e avalia recursos didáticos-pedagógicos utilizados na educação em ciências, como os games. São cerca de 30 jogos que estimulam atividades lúdicas enquanto abordam temas relevantes no campo das ciências da saúde. 

Há cruzadinhas, caça-palavras, jogo das letras, diagramas, quiz e muito mais. É possível também fazer uma visita virtual ao EIC. Tudo pode ser baixado gratuitamente direto do site do EIC: https://eic.ifsc.usp.br/category/jogos

No caso do Negligência Mortal, o principal desafio é descobrir qual é doença que a jornalista contraiu. Para isso, é preciso ajudar a epidemiologista Odete a percorrer as regiões visitadas pela jornalista. Durante o percurso, o jogador passará por diferentes Estados, conversará com a população, fará anotações sobre sintomas de doenças e observará o ambiente. No final, o jogador deve relacionar os sintomas às enfermidades e, assim, chegar ao diagnóstico da doença da jornalista.

Voltado para estudantes a partir de 12 anos de idade, o jogador atua como um investigador no processo de aprendizagem sobre quatro doenças negligenciadas com grande ocorrência no Brasil: malária, doença de Chagas, esquistossomose e leishmaniose.

As doenças negligenciadas são um grupo de enfermidades endêmicas, principalmente entre as populações pobres da África, Ásia e América Latina. Juntas, causam entre 500 mil e 1 milhão de mortes anualmente. São doenças tratáveis e curáveis, mas, como atingem pessoas com poucos recursos financeiros, não despertam o interesse da indústria farmacêutica para produção de medicamentos e controles. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica 17 enfermidades como doenças negligenciadas.

No caso da doença de Chagas, por exemplo, estima-se que até 4,6 milhões de brasileiros estejam infectados pelo parasita Trypanosoma cruzi, causador da enfermidade, com cerca de 6 mil mortes por ano. A malária tem menor letalidade, mas, em 2019, foram registrados 156 mil casos no Brasil, onde cerca de 42 milhões de pessoas correm o risco de contrair a doença.

O game Negligência Mortal insere o estudante na realidade dessas populações. “As escolas apresentam a temática mostrando a relação entre doença e agente causador com foco unicamente na transmissão, ciclos, sintomas e profilaxia, sem que o estudante consiga aplicar esses conhecimentos à sua vida cotidiana, além de não considerar que a instalação de doenças pode ser modificada por cuidados no ambiente”, explica a professora Leila Beltramini, bióloga e coordenadora do Espaço Interativo de Ciência (EIC), que desenvolveu o game.

Jornal da USP 

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