Para jogar luz sobre os desafios contemporâneos, o deputado federal Ciro Gomes iniciou sua palestra durante o VII Conse, no dia 25 de setembro, trazendo uma reflexão algo filosófica. A de que a felicidade humana transitou para a busca por conquistas absolutamente materiais, para “o quanto de expectativas de consumo nos damos conta de praticar com a renda apertada”. Essa distorção, na qual a mídia tem papel preponderante, ocorre em um panorama globalizado. “A vida cotidiana é influenciada pela forma como o País se relaciona com o mundo. O que importa é apenas replicarmos as belezas do Atlântico Norte, isso é uma tragédia que a crise econômica revelou os limites.” Para o parlamentar, é necessário lutar por uma nova ordem internacional, assentada na paz.
A introdução teve por objetivo propiciar que se pense o Brasil estrategicamente, em que 84% das pessoas moram em cidades, há mais TVs nas casas do que geladeiras e já são 50 milhões de acessos à Internet. “O País está no último estágio do consumo. É a bolsa Louis Vitton, o tênis Nike que conferem valor ao cidadão.” Para além da premência de mudar esse modelo, o questionamento: a condição de empreender para concorrer nesse quadro seria global? A resposta é não.
Para Gomes, isso em função de assimetrias em nível nacional como falta de financiamento para novos negócios, ausência de escala na fabricação e o desafio de acompanhar o avanço das tecnologias, cujo local de produção torna-se irrelevante, mas o domínio continua a ser intrinsecamente nacional. “O Brasil está melhorando, mas sua indústria continua em média atrasada três gerações. E sete a cada dez postos são germinados em pequenas empresas. É preciso abrir o olho aos novos modelos de organizar nossa atitude cooperativa.”
Na opinião do deputado, não é possível mais acreditar nas forças de mercado. Tampouco o caminho é buscar atalhos apressados. A nova configuração mundial demanda recuperar a ideia de um projeto nacional de desenvolvimento como objetivo estratégico. “O planejamento moderno há que se validar, mas é preciso convocar as inteligências e estabelecer a dialética com a realidade do País.” Esta é uma nação por fazer e faltam engenheiros para tanto. “Não há como superar as assimetrias competitivas sem esses profissionais e sem educação.”
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Autor: Beatriz Arruda