O Ministério da Educação está fazendo uma reordenação dos cursos de Engenharia e estabelecendo novas definições do que é cada curso, qual é a infraestrutura necessária e o que deve saber cada engenheiro. Hoje, com mais de duas centenas de denominações, a área abrange desde Arquitetura até Engenharia de Alimentos. A confusão, diz o ministério, dificulta a expansão da área.
"Não há dúvida que temos oferta insuficiente. São cerca de 1,3 mil cursos apenas e 300 mil alunos, muito menos do que era de se esperar", avalia a secretária de ensino superior do MEC, Maria Paula Dallari. "Precisamos definir áreas de atuação, infraestrutura mínima e deixar mais claras as necessidades para criar novos cursos."
De um modo geral, a qualidade dos cursos de Engenharia no Brasil é boa. É uma das áreas que tem a menor quantidade de cursos mal avaliados e seus alunos têm sempre algumas das maiores médias no Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade).
Entretanto, o país precisa também de mais quantidade. O MEC espera dobrar a oferta no médio prazo, entre seis e oito anos. "São cursos que demandam estrutura mais sofisticada, corpo docente muito especializado. Por isso, tem uma expansão mais lenta. E no passado foi lento demais. Temos um grande déficit a suprir", explica Paulo Wollinger, diretor de supervisão e regulação do ensino superior. "O investimento público toma mais tempo e as escolas particulares têm dificuldade, porque o investimento é alto."
A avaliação de Wollinger é que 52 cursos de Engenharia entre 283 novos nas recém-criadas universidades federais é uma boa média. "O setor público precisa também investir em outras áreas onde há escassez, como ciências da saúde", diz.
Maria Paula Dallari, no entanto, afirma que o MEC pode passar a incentivar a criação de determinados cursos pelas particulares com recursos. O ministério tem, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), uma linha de crédito para capital de giro e financiamento de expansão das instituições que pode ser concentrada para projetos das áreas consideradas prioritárias. (Lizandra Paraguassu, O Estado de São Paulo)
Posição da FNE
“Não se pode pensar as políticas de desenvolvimento sem que se dê destacado espaço à questão da formação dos recursos humanos aptos a operar o sistema empresarial e de inovação. Os engenheiros são relevantes nesse sentido, pois são os condutores da inovação na indústria e nos demais setores produtivos. Por isso, o número desses profissionais e a qualidade da sua formação têm estreita relação com o desenvolvimento.” A análise é feita no projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, lançado pela Federação Nacional dos Engenheiros em 2006 e que propõe uma plataforma nacional de desenvolvimento com inclusão social.
Deixa clara a importância fundamental da categoria para impulsionar o País na trajetória ascendente desejada. O desafio é grande, como aponta o “Cresce Brasil”: “Comparações internacionais demonstram que o Brasil precisa de mais diplomados na área. Na Coréia do Sul, são 20 engenheiros em cada 100 formandos nas universidades; na França, essa relação é de 15 para 100; e no Brasil, de oito para 100. Formamos 20 mil engenheiros por ano, contra 300 mil na China, 200 mil na Índia e 80 mil na Coréia.”
A proposta da FNE, desde 2006, é de um esforço nacional para dobrar o número de engenheiros que saem das universidades, calculado em 20 mil profissionais formados por ano. Para tanto, a FNE é preciso ampliar as vagas nas universidades públicas e nas boas escolas privadas, reformular os cursos e oferecer formação de qualidade.
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