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O brasileiro FuadGattaz Sobrinho desenvolveu o critério ValueBasedProcess, Software and Systems Engineering (processo baseado em valor em software e engenharia de sistemas). A inovação rendeu a ele a medalha de ouro em Ciên­cia Transformativa em Engenharia de Software (TransformativeandAchievementsAwards), concedida pela Society for Design andProcess Science (SDPS) – única sociedade científica internacional de desenhos e processos. A honraria, que já foi concedida ao físico Steven Weinberg, prêmio Nobel de Economia em 1979, e ao economista Herbert Simon, Nobel em 1978, foi entregue em 3 de novembro último, durante a Conferência Internacional da SDPS, realizada neste ano no Texas, Estados Unidos.

“Trata-se de um reconhecimento do nosso trabalho como um novo paradigma transdisciplinar de engenharia de software que pode ser aplicado a qualquer área do conhecimento”, declara Gattaz, cujo estudo já tem 35 anos e envolve 2 mil profissionais em uma rede colaborativa entre mais de dez centros de pesquisa espalhados pelo mundo. Ele criou o Instituto Internacional de Integração de Sistemas (Iiisis), sem fins lucrativos, que conta com a participação de cientistas de Estados Unidos, Turquia, Índia, Japão, Singapura, China e Europa, para colocar em prática a “Teoria integrativa de ciência e desenhos de processos, sistemas e software orientada a valor”.  A metodologia propicia a unificação das diversas etapas do desenvolvimento de software, que incluem especificação, desenho, codificação, teste e implantação. “O que ocorre hoje é que existem várias linguagens e uma não conversa com a outra. Eu desenvolvi um método em que você consegue especificar, desenhar, implementar, codificar, testar e implantar numa mesma linguagem”, explica.

Paulista de São José do Rio Preto, Gattaz é bacharel em Matemática e Física (Universidade de Brasília), mestre e doutor em Administração de Empresas e doutor em Ciência da Computação (Universityof Maryland – EUA) e atualmente é presidente da SoftwareEngineeringSociety (SES) e da SDPS na América do Sul. Foi ainda pesquisador na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na década de 1970. Antes disso, foi cientista sênior da Nasa no Projeto Guerra nas Estrelas, durante o Governo Ronald Reagan, entre 1979 e 1984.
Conforme ele, foi essa experiência que o levou a desenvolver o modelo agora premiado. “Quando você atua em processos de guerra e de paz, ocorre um trabalho transdisciplinar para que todos os aspectos sejam vistos e contemplados”, afirma. Ele frisa a importância desse conceito: “Não adianta só colocar os profissionais para trabalhar uns com os outros. Isso é interdisciplinaridade. Transdisciplinar é quando, na medicina, por exemplo, você vê a saúde antes da doença.” Conforme Gattaz, uma tendência que começa a ser experimentada nessa área são os cuidados com os idosos. “Uma ciência integrativa e, consequentemente, transformativa”, observa.

Em suas palavras, “essa nova ciência (premiada) é uma nova teoria em gestão, ciências e engenharias que integra as ciências de processos, sistemas e software, que até agora eram apartadas”.

Segundo ele, o que distingue a ciência que ele classifica como integrativa das atuais é que enquanto essas são basea­das em funções, a primeira busca o valor obtido. Para exemplificar, Gattazlembra das disciplinas em engenharia, como cálculo 1 e 2: “É meramente uma função. Você aprende para calcular algo, e não para gerar resultado ou, ainda, o resultado programado.” Nessa nova abordagem, prioriza-se a necessidade sobre a eficiência. Em sua análise, é preciso que o mundo esteja mais voltado a atender as diferentes demandas. “A ciência integrativa busca os diversos olhares para que você possa enxergar o contexto e sua necessidade primeiro. Só depois é que você vai trilhar o processo sobre como vai enxergar a diferença entre o que tem hoje e o que está programando. Uma ciência integrativa nasce na medida da necessidade.”

Laboratório vivo

Atualmente, Gattaz busca parceiros de diversos setores para montar o que ele chama de “laboratório vivo”. Trata-se de uma metodologia que estabelece uma dinâmica de pessoas e instituições, conectadas em rede, que buscam o mesmo valor. Por exemplo, uma boa prática de cidadania, o que envolve governos, iniciativa privada, sociedade civil e academia. “Ainda estou na fase de formatação desse laboratório, mas penso que vai ser interessante para o País, porque deverá haver uma reflexão sobre a formação dos profissionais. O Brasil é o principal celeiro da transdisciplinaridade, porque temos algo chamado multiculturalismo”, diz Gattaz. Entre os que já se engajaram na iniciativa, ele lista o Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), mantido pelo Seesp e apoiado pela FNE, e a Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU). “Serão diversas entidades nacionais e internacionais. Mas tenho certeza que a CNTU é meu principal parceiro, uma vez que o trabalhador universitário liberal é mais importante que a empresa, já que é ele quem levará as nossas ideias para a empresa.”

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