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Disseminar informações, conscientizar e unir profissionais para ampliar a mobilização contra o uso indiscriminado de agrotóxicos no campo. Com esses objetivos, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU) promoveu o seminário “Cartografias da agricultura brasileira”, em parceria com o Sindicato dos Nutricionistas do Estado de São Paulo (Sinesp), que sediou o evento em seu auditório, na capital paulista, no dia 17 de outubro último.

“Se não houver mobilização e participação, não vamos conseguir melhorar as condições de vida no País. É preciso buscar informações seguras, de fontes confiáveis, para levar o debate sobre tudo o que nós estamos passando atual­mente, que é o consumo excessivo de agrotóxicos”, exclamou Ernane Rosas, presidente do Sinesp, durante a abertura do evento. Na mesma sessão, o vereador paulistano Gilberto Natalini (PV) saudou a iniciativa que poderia contribuir para que “a nossa causa ganhe mais força e projeção na sociedade”. Corroborando, o presidente da CNTU – também à frente da FNE –, Murilo Pinheiro, afirmou ser preciso intensificar o debate sobre o tema para que a informação se multiplique.

Câncer e agrotóxicos

Na primeira parte do evento, dois especialistas abordaram o tema “Alimentação, nutrição e câncer”, dando um panorama brasileiro sobre os casos da doença no País, principalmente os relacionados à dieta do paciente. “Um artigo científico lançado neste ano, sobre a fração atribuível de câncer a fatores de vida, infecções e agentes ambientais ocupacionais, demonstrou que embora o tabagismo se configure como principal fator de risco de forma isolada, quando agrupamos os fatores dietéticos e nutricionais, na verdade o impacto desse outro grupo é muito maior”, alertou a nutricionista Thainá Alves Malhão, coordenadora substituta da Unidade Técnica de Alimentação, Nutrição e Câncer do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca).

De acordo com levantamento do Inca, a cada ano são registrados 600 mil novos casos de câncer no Brasil, sendo 60% com diagnóstico em estágio avançado, dificultando o tratamento. A doença já é a segunda causa de mortes por enfermidades no País, com 190 mil óbitos por ano. E para cada cem casos de pessoas com câncer, 33 poderiam ser prevenidos com mudanças de hábitos alimentares e atividade física.

Malhão lembrou ainda que é preciso refletir sobre qual tipo de sistema de alimentos as sociedades contemporâneas adotam, destacando a maciça publicidade feita por marcas mundiais do setor de produtos processados e ultraprocessados, que contêm substâncias cancerígenas.

Entre as recomendações feitas pelo Inca, está a manutenção do peso adequado, por já haver evidências que o excesso de gordura corporal causa diversos tipos de câncer, como de intestino, de mama na pós-menopausa, na vesícula biliar, rim, fígado, esôfago, ovário, pâncreas, estômago, endométrio, tireoide, entre outros.

O advogado Marcelo Carneiro Novaes, defensor público da Capital e Região Metropolitana do Estado de São Paulo, falou da imprecisão na medição da quantidade de agrotóxicos nos hortifrúti e salientou a importância de se reunir esforços para serem criados consensos, como por exemplo o de não criar expectativas na judicialização dos casos. “Não é por falta de lei. Trata-se de questão política, de dominação econômica”, disse Novaes.

Cartografias

Na programação da tarde, o chefe geral da Embrapa Monitoramento por Satélite, Evaristo Eduardo de Miranda, apresentou um panorama sobre os territórios agrícolas e a produção de alimentos no Brasil, destacando a evolução tecnológica como um ganho fundamental tanto em relação ao uso e ocupação para o plantio quanto à contenção do uso abusivo de agrotóxicos. Nesse sentido, citou o uso de organismos geneticamente modificados (OGMs), o que “propicia redução de defensivos e pesticidas em mais de 30 vezes em algumas culturas”.

Tito Lívio Maule Filho, doutorando em geografia humana pela Universidade de São Paulo (USP), salientou que o panorama tecnológico apresentado por Miranda tem um custo social e humano bastante elevado, com aumento de intoxicação por agrotóxicos no campo – uma média de oito pessoas por dia – e crescimento do mercado de agrotóxicos na última década. “É o que eu chamo de ciência engajada, à mercê do mercado. Enquanto os recursos para pesquisas públicas são cada vez menores, as pesquisas para servir aos grandes monopólios aumentam”, disse.Ele alertou para um projeto que tramita com rapidez no Congresso, que pretende substituir o termo agrotóxico por fitossanitário ou fitoagrícola.

Ao final do evento – realizado em celebração ao Dia Mundial da Alimentação definido em 16 de outubro – foi aprovada a “Carta Aberta da CNTU pela Alimentação Saudável”. Entre outros pontos, o documento faz o alerta: “As políticas em voga para administrar a crise econômica, como arrocho salarial, desemprego, corte nos gastos sociais, situações que vivemos no momento, colocam essa séria questão: o crescimento da fome. O Brasil saiu do mapa da fome absoluta. Até quando? Alimentação é uma questão de saúde pública e também uma questão de meio ambiente. A saúde do meio ambiente também não pode ser deixada ao laissez-faire dos mercados e ao domínio dos interesses do dinheiro.”

*Colaborou Soraya Misleh

Confira cobertura completa do evento em www.cntu.org.br

 

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