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Cresce Brasil

Apesar da atual recessão, o Brasil ainda figura entre as dez maiores economias do mundo, ocupando o 9º lugar, conforme o Fundo Monetário Internacional (FMI). No entanto, a história é outra quando o tema é competitividade: o País ocupa a 81ª posição na lista do Fórum Econômico Mundial (FEM) – 2016-2017 –, atrás dos vizinhos Peru (67ª) e Colômbia (51ª).

Em inovação, um dos pilares avaliados na classificação da FEM, a posição brasileira é a 69ª, segundo o Índice Global de Inovação, apurado pela Universidade Cornell, pela Escola de Pós-graduação em Negócios (Insead) e pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Wipo).

Neste cenário, poucas empresas (35,7%) buscam inserção de produtos e processos novos ou significativamente aprimorados, conforme aponta a Pesquisa de Inovação (Pintec 2009-2011) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para a economista e doutora em política de ciência e tecnologia, Connie Vedovello, historicamente o setor industrial brasileiro não teve base produtiva que fomentasse a inovação, “pela forma de estruturação da economia e como a política industrial foi permeada”. Já Álvaro Prata, secretário de desenvolvimento tecnológico e inovação do Ministério de Ciên­cia, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC), acredita que os investimentos em pesquisa e desenvolvimento são “adiados”, pois “há uma tendência pública e privada em colocar recursos em ações de curto prazo”.

Em 2015, foi aplicado 1,24% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em P & D, algo em torno de R$ 70 bilhões. No mesmo ano, o MCTIC teve o registro de apenas 1.100 empresas beneficiárias da Lei do Bem (Lei 11.196/05), que garante incentivo fiscal àquelas que desenvolvem projetos em inovação. Para o diretor geral do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), Saulo Krichanã Rodrigues, os números são negativos, pois “o valor destinado a inovação ainda é visto como um gasto, e não como investimento”, visão que precisa mudar.

Políticas e ações

Com a Lei da Inovação (nº 10.973/04) e demais incentivos, o MCTIC mantêm Parques Tecnológicos e Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), entre outras ações. Neste ano, o valor investido se aproxima de R$ 3,2 bilhões. Parte disso engloba a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que financia projetos em parceria com universidades e institutos.

Para João Oliveira Junior, coordenador do NIT Mantiqueira, as aplicações são positivas, mas pecam em organização. “É necessário uma política de inovação que estruture e determine as áreas principais a serem desenvolvidas.” Ele frisa a falta de profissionalização nos núcleos. “Ainda hoje vemos grandes pesquisadores que recebem bolsas, como estudantes”, diz.

A economista Vedovello vê com pessimismo ações que possam reverter o quadro no curto prazo, tendo em vista as recentes medidas governamentais. “A junção das pastas (CT&I e Comunicação) é um corte de orçamentos”, diz. Ela questiona também o efeito da Proposta de Emenda à Constituição 241/16 (tramitando agora no Senado como PEC 55) no setor: “Se limitam valores fundamentais, o que acontecerá com P & D, que ainda é subestimado?”

Pequena empresa

A boa notícia relativa ao tema está nas iniciativas empreendidas pelas pequenas empresas. Quem afirma é Athos Vinicius Valladares Ribeiro, diretor da Unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Segundo ele, essas assumem grandes riscos ao implantar projetos e são mais suscetíveis a adaptações. “Inovação deve ser compreendida como diferencial de qualquer negócio que deseja perenidade em um mercado cada vez mais competitivo, regulado por consumidores cada vez mais exigentes”, alega Ribeiro.

Foi o que buscou Aulus Macedo, presidente da indústria moveleira e comércio Sena Decorações, em Silva Jardim (RJ), ao fazer a qualificação em manufatura enxuta. “Nós modificamos os processos na confecção de pufes, adequando à filosofia ‘Lean’ de produção, pela qual gastos e desperdícios são reduzidos ao máximo, agregando valor à peça”, explica. “Produzíamos 1.300 pufes de baixo valor de mercado, com um faturamento de R$ 32,5 mil por mês. Hoje, com menos desperdício, fabricamos sete diferentes modelos, com maior valor de mercado, em menor quantidade (1.200), com faturamento de R$ 92,9 mil/mês”, conta o empresário.

Afinal, do que se trata?

A especialista Connie Vedovello explica que a inovação pode ser incremental – de pequenos acréscimos ou melhorias de produto – e radical – como grandes saltos tecnológicos ou produtos inéditos no mercado. Ela complementa que ambos os modelos devem visar produtividade. “Tem que atender uma necessidade de mercado, e não apenas ser algo novo”, salienta.

Na sua avaliação, a inovação provém da qualificação de pessoas, pois “é preciso capital humano capaz de atuar com as novas tecnologias”, aptidão essa que ainda é escassa porque “os currículos das universidades não conversam com a necessidade do mercado”. Segundo ela, inovar em setores econômicos “carece de pessoas com competências apuradas, que enxerguem aspectos importantes de processos produtivos, gerando agilidade, produtividade e competitividade às empresas”.

Saulo Krichanã Rodrigues, diretor geral do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), que desde o ano passado oferece a primeira graduação do Brasil em Engenharia de Inovação, acredita que a questão é comportamental. “É uma visão de futuro, de se incomodar com o que já existe e pensar de que forma aquilo pode ser melhor”, diz. Para o diretor, é papel da academia “mudar seu método de ensino para formar um profissional apto a inovar”.

Nesse ponto, Vedovello destaca também o MBA em Inovação Competitiva do Isitec. “É desenhado para amparar os profissionais, de qualquer área, que vão se engajar nessa rotina de atividade inovadora”, conta ela, integrante da coordenação e do corpo docente do curso, com duração de 376 horas/aulas presenciais quinzenais, que serão realizadas em São Paulo, na sede do instituto.

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