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Formar engenheiros capazes de inovar e empreender, transformando a sociedade. Essa é a missão do Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), localizado em São Paulo, que realiza neste mês a quarta edição do vestibular para a graduação em Engenharia de Inovação, a primeira reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) no Brasil. São 60 vagas oferecidas no curso que tem duração de cinco anos, em aulas no período integral. Segundo Saulo Krichanã Rodrigues, diretor geral da instituição, o futuro calouro pode cultivar as melhores expectativas. “A base da inovação é o conhecimento. E nós propomos ao aluno um ambiente em que ele aprende a aprender a vida inteira”, diz.

Pioneiro no curso, o Isitec também é a primeira faculdade no País criada e mantida por uma entidade de trabalhadores, o Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP), com o apoio da FNE. Em entrevista ao Engenheiro, Krichanã destaca a relevância dessa ação: “Num País em que se fala tanto na necessidade de educação e inovação, o sindicato não está falando, está fazendo.”

Como o senhor avalia o instituto desde a sua primeira turma de graduação até agora, na quarta edição do vestibular?

O Isitec nasceu com a ideia de criar condições para que o aluno esteja sempre aprendendo, além de simplesmente ensiná-lo o que é a engenharia ou o que é a inovação. Nesse sentido, já posso dizer, estamos colhendo bons frutos mesmo sem formar a primeira turma. No ano passado, tivemos a presença do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (agora também Comunicações – MCTIC) em visita, empolgado com a concepção do instituto. Acabaram nos incluindo num projeto de duas cartilhas, uma de inovação e outra de propriedade industrial, voltada aos ensinos fundamental e médio. A cartilha era impressa em formato de Gibi, e fiquei me perguntando se aquela linguagem era a ideal para falar com o público-alvo. Então dois estudantes do segundo ano sugeriram desenvolver uma cartilha online. O MCTIC abraçou a sugestão e acionou no projeto o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer. Ou seja, alunos do segundo ano de engenharia estavam em um projeto com o MCTIC em prol da inovação. Neste ano, eles apresentaram o projeto beta do aplicativo, que ainda este mês estará pronto. Quantos alunos de outras faculdades no segundo ano de engenharia já fizeram isso? A apresentação foi em um seminário aberto do Isitec, e estudantes de outras universidades da região, que estavam aqui, de semestres mais avançados, mal sabiam o que era o arduíno, plataforma utilizada no projeto. Então, essa visão de quem está de fora nos aponta que estamos no caminho certo, com nível superior à média e na formação de pessoas que queremos, capazes de desenvolver projetos em qualquer área necessitada da sociedade.

O que o Isitec espera dos novos alunos de engenharia de inovação?

Ele tem que ter o perfil do inovador. Nosso primeiro teste do vestibular é uma avaliação disso, é um teste de lógica. Porque a lógica, assim como o inconformismo e a criatividade, é elemento importante para a geração do conhecimento e da inovação. É isso que esperamos. Um curioso, um chato de galochas, um criativo estilo MacGyver. Esperamos muito do calouro, porque sabemos que nosso programa é diferenciado.

E o que o aluno que virá para o Isitec deve esperar da instituição e do curso?

Nosso trabalho é o de ensinar a aprender. O que se sabe é que a engenharia deve estar na vanguarda da tecnologia. Então o que o futuro engenheiro aprende hoje, amanhã pode não servir mais. A proposta é formar um profissional que antes de tudo esteja disposto a aprender a vida inteira. Outro ponto focal é o conhecimento agregado. Daqui uns anos, as empresas não vão levar mais em conta o nome da universidade ou o currículo do profissional, mas sim o que ele tem a agregar à sua empresa, ao seu negócio. Isso já vem acontecendo no exterior. Para isso, optamos por um modelo de aula em que o aluno deve absorver o conhecimento, e não apenas decorar. Ele faz parte da experiência como um todo, e não aceita apenas a teoria, o conceito pronto. Aqui, o estudante vai ao laboratório, faz experiências para depois saber o porquê daquilo, assim a teoria faz mais sentido.

Há um consenso quanto à importância da inovação para que a economia brasileira ganhe produtividade e competitividade. Como o curso de Engenharia de Inovação do Isitec contribui nesse processo?

A inovação era a palavra da moda em muitas empresas até vir uma crise, nesses últimos anos, e ser a primeira área cortada. Porque a inovação demora, ela só é inovação quando chega ao mercado. Isso leva tempo e as empresas nem sempre querem esperar. Mas a inovação faz parte das grandes mudanças. E daqui para a frente virão mudanças cada vez mais rapidamente. O Isitec vai na contrapartida disso e contribui com as grandes mudanças, porque a base da inovação é o conhecimento. Na medida em que se cria uma faculdade, que alcança a raiz do conhecimento e mostra que isso é algo factível, se dá uma base sólida para a inovação. E aí se transformam comportamentos, culturas e profissionais.

Na sua opinião, qual a relevância de uma iniciativa como a do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp), que criou e mantém uma instituição de ensino como o Isitec?

Quando começou a se discutir o Isitec, o Seesp, pela figura do presidente Murilo Pinheiro, conversou com diversas entidades, universidades, empresas. Todos adoraram a ideia, mas ninguém quis colocar a mão na massa. O Murilo teve a visão e a ousadia de um inovador, de um empreendedor: ele fez acontecer. Num país em que se fala tanto na necessidade da educação e da inovação, mas se faz pouco por isso, a ação do sindicato é à frente do tempo. O sindicato não está falando, está fazendo.

Interessados em participar do processo seletivo no Isitec devem se inscrever no site do Isitec.

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