Enfrentar as consequências do aquecimento global em curso, vivenciadas pela ocorrência de eventos extremos, precisa estar na ordem do dia. É necessário manter os esforços pela redução das emissões de gases de efeito estufa, mas também agir efetivamente para buscar a adaptação que pode salvar vidas. Engenharia tem muito a contribuir.
Nesta segunda-feira (16/3), celebrou-se no Brasil o Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas. Mais do que uma data simbólica criada por lei, deve ser encarada como um chamado à ação.
O primeiro passo é compreender com clareza o fenômeno que enfrentamos. O consenso científico internacional é inequívoco: a elevação da temperatura média do planeta, provocada principalmente pela emissão de gases de efeito estufa decorrente das atividades humanas, está alterando o equilíbrio climático da Terra. O resultado é o aumento da frequência e da intensidade de eventos extremos, como chuvas torrenciais, secas prolongadas, ondas de calor e tempestades cada vez mais destrutivas.
Esse quadro já faz parte da realidade brasileira. Tragédias associadas a chuvas intensas e deslizamentos têm se repetido em diferentes regiões do País, evidenciando a vulnerabilidade de nossas cidades. O recente episódio ocorrido em Juiz de Fora (MG), com mortes, destruição e famílias desalojadas após fortes chuvas, é mais um doloroso exemplo de como eventos climáticos extremos se convertem em crises humanitárias quando encontram territórios marcados por ocupação desordenada, infraestrutura insuficiente e ausência de planejamento urbano adequado.
Torna-se, portanto, imprescindível avançar em duas frentes complementares. A primeira é a mitigação, isto é, a redução das emissões de gases de efeito estufa, por meio da transição energética, da preservação ambiental e de novos padrões de produção e consumo. Essa agenda é fundamental para limitar o agravamento da crise climática no longo prazo.
No entanto, é fundamental é adaptar-se. Isso exige a adoção de estratégias concretas capazes de proteger populações, reduzir riscos e evitar perdas humanas e materiais.
Entre as demandas mais urgentes estão a modernização da infraestrutura urbana, o fortalecimento dos sistemas de drenagem e contenção de encostas, a ampliação de áreas verdes, a recuperação de bacias hidrográficas e a implantação de sistemas eficientes de monitoramento e alerta para desastres naturais. Também é essencial integrar a variável climática ao planejamento territorial e às políticas habitacionais, evitando que populações vulneráveis continuem sendo empurradas para áreas de risco.
É nesse contexto que a engenharia assume papel decisivo. Da gestão de recursos hídricos à mobilidade urbana, da geração de energia limpa à proteção de encostas e contenção de cheias, a contribuição dos profissionais da área tecnológica é fundamental para transformar diagnósticos em soluções concretas.
Valorizar a engenharia e assegurar condições para que esses profissionais atuem plenamente é, portanto, parte essencial da resposta à crise climática. Isso inclui fortalecer as estruturas técnicas do Estado, garantir equipes qualificadas nos municípios e promover investimentos consistentes em infraestrutura e inovação.
Vamos todos atuar para construir um futuro mais seguro, sustentável e justo para toda a sociedade.

